
João Carvalho: «Diz chamar-se Isabel Meirelles com dois eles, é social-democrata, fartou-se de participar em programas televisivos sobre os Estados-membros da UE, concorreu contra Isaltino Morais à câmara de Oeiras, podia exercer como vereadora e está com o mandato suspenso por qualquer razão que não vem ao caso. Até aqui, tudo bem. O problema é quando começa a falar no seu peculiar dialêcto, sempre cuidadosamente afectado.»
Rui Bebiano: «Se a palavra caiu em desuso, a prática do vilipêndio sobreviveu-lhe claramente, associada a formas de comunicação próprias das sociedades contemporâneas. Os tablóides são um deles. Podemos, sem dúvida, esconjurar o seu interesse ou diminuir o seu valor – “as pessoas que lêem tablóides merecem que lhes mintam”, disse há tempo Jerry Seinfeld – mas a verdade é que são um produto incontornável da democratização da informação. E os profissionais da calúnia, e da desinformação que lhe está associada, já o perceberam há bastante tempo. Outro processo situa-se hoje no espaço dos blogues. Com um meio poderoso e fácil de criar e de utilizar, sem a interposição de conselhos editoriais, sem uma clara responsabilização das autorias por aquilo que escrevem ou deixam escrever, muitas vezes recorrendo ao anonimato ou a pseudónimos flutuantes – e muitas vezes também com o apoio de alguns leitores, outrora silenciosos mas agora transformados em “comentadores” –, é nele que actualmente se concentra talvez a parte mais significativa da “indústria da calúnia”.»
Eu: «A esquerda latino-americana comete um erro trágico ao deixar-se atrair por políticos caudilhistas, que fazem do populismo a sua imagem de marca e usam o nacionalismo exacerbado como estribilho seguro para se perpetuarem no poder. Este erro de proporções históricas começou com o apoio dado por amplos sectores de esquerda, nas décadas de 40 e 50, a figuras como Juan Domingo Perón (na Argentina) e Getúlio Vargas (no Brasil), por sinal oriundas da direita mais radical, e prolonga-se na actual onda de entusiasmo em torno do demagogo Hugo Chávez e de vários dos seus epígonos menores, como Evo Morales. Chávez, o mais desbragado populista do nosso tempo, faz lembrar o que H. L. Mencken dizia de Harry Truman:“Se a maioria da população fosse composta por canibais, ele prometeria missionários gratuitos, engordados à custa do contribuinte.” Isto já para não falar em Fidel Castro, que transformou Cuba num imenso beco sem saída.»
