
Ana Vidal: «- Booom diiiaaaa!!! És tu, amor? O meu tigre de Bengala, o meu Rei-Leão? Grrrr…
– Hã… bom dia. Como vai, cara colega? Desculpe, será possível falarmos um pouco mais tarde?
– Ohhhh!… snif… porque é que me estás a tratar assim depois da nossa noite selvagem, meu Tarzan? Já não sou a tua Jane???… snif… Ah, prontos, já percebi: deves estar numa daquelas tuas chatéééérrrrimas reuniões de administração e não podes falar. É isso?
– Exactamente. Muito bem, terei muito gosto em ligar-lhe depois para discutirmos o assunto. Até breve.»
João Carvalho: «Se por lá se lembrassem de dizer que Portugal não tem condições para ser bem governado a partir de amanhã, a notícia seria boa e poderíamos passar todos esta noite em festa para darmos as boas-vindas a qualquer mágico que estaria para chegar logo pela manhãzinha. Porque nos esperaria seguramente sorte inversa. O mais assustador é que eles insistem que estão no bom caminho.»
Luís M. Jorge: «Os que agora berram contra a subsídio-dependência da cultura portuguesa (reparem no vocabulário desta gente) são provavelmente os mesmos que lamentaram a destruição das pescas e o fim da nossa indústria. Custa-nos assim tanto compreender que num país periférico de um continente envelhecido as actividades culturais são uma fonte rara de bens e serviços transaccionáveis, vocacionados para a exportação? Ou ainda não é desta?»
Paulo Gorjão: «É impressão minha ou a entente entre PS e PSD já conheceu melhores dias? O PS quer jogar o chicken game? Tem a certeza?»
Eu: «Nesta era de feroz individualismo, o intelectual regressa à torre de marfim. Ou imita aqueles distraídos xadrezistas de Bizâncio, de olhos concentrados no tabuleiro enquanto a cidade ardia. Compreende-se: é mais cómodo ser assim. Depois da intervenção cívica, a demissão cívica. E, no entanto, a Terra move-se.»
