DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Não sei se é tabu, mas há uma praxe triste – ritualmente repetida e pouco reportada – na vida de muitas escolas portuguesas que neste ano lectivo coincidiu com a morte de  José Saramago, escritor que aprendeu à sua custa, já crescido,  tanto do  muito que não pôde em miúdo. Dou por isto  há pelo menos vinte anos, mas se calhar acontece há mais. Falo da queima e rasganço de manuais (e cadernos, e livros) frente aos portões principais, na aproximação às férias. Se quem o faz tem a total noção do que expressa –  nem todos ouviram falar do tempo em que esses livros passavam de uns irmãos para os outros, encadernados com cuidado – é difícil saber; mas não me parece  que se acenda um isqueiro para um gesto de desprezo desses sem o mínimo de percepção do que se está a fazer. Falta muito para sermos um país com amor ao saber, por isso é melhor não perdermos mais tempo.»

 

Eu: «Ricardo Rodrigues, sempre ele, vem agora propor que o 25 de Abril seja comemorado a 27. Cheguei a pensar que poderia propor o dia 30 de Abril para os festejos: foi nessa data que pela primeira vez um deputado surripiou material de trabalho a jornalistas na Assembleia da República. Não dá direito a feriado, mas foi uma data memorável.»

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