DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

Leonor Barros: «A avaliação de professores continua a estrebuchar. Como um mal crónico ou uma aflição recorrente, a verdade é que continua por aí a dar que falar. Depois da querela que opôs mais uma vez sindicatos e Ministério da Educação, uma vez que ambos não conseguiram chegar a acordo no que respeita ao efeito da avaliação nos concursos para o próximo ano lectivo, eis que o Ministério decidiu que a dita terá efeitos práticos nas vidas dos professores e das escolas, alunos e pais, já se sabe, ou seja, contará para os concursos. O mais insólito condensa-se nas últimas linhas da notícia que cito: ”quanto aos professores que não foram avaliados, assegurou [o Secretário de Estado] que estão “em pé de igualdade” com os avaliados”. Concluo pois que é igual ser ou não avaliado. O que eu gostava que alguém conseguisse deslindar este imbróglio.»

 

Paulo Gorjão: «Cavaco Silva considera que “chegámos a uma situação insustentável”. Ou seja, se não é sustentável, tal significa que vamos ter de mudar de rumo. José Sócrates, que é quem tem a capacidade executiva de mudar de rumo, já o disse por inúmeras vezes que não o fará. A realidade confirma-o: só sob pressão tomou algumas das medidas que era urgente tomar e mesmo assim a contragosto. Perante um cenário destes — 1. insustentabilidade; 2. recusa em mudar de rumo — o Presidente da República afirma igualmente que “este não é o tempo de querelas partidárias ou quezílias ideológicas”. Agora, caro leitor, expliquem-me como se eu fosse muito burro: como é que um Presidente da República que reconhece a insustentabilidade da actual situação sugere ao mesmo tempo que se anulem, ou suspendam, as opções partidárias e ideológicas que são precisamente cruciais para se mudar de rumo e, com isso, tornar a situação sustentável?»

 

Teresa Ribeiro: «Ao criticar, durante uma intervenção no Parlamento Europeu, a discriminação que foi feita pelo governo nos cortes da despesa pública, Miguel Portasfoi particularmente incómodo, porque para sustentar uma argumentação já usada por muitos políticos à esquerda e à direita deu exemplos. E a importância, como se sabe, está nos detalhes. Certamente por distracção só ontem vi este filme, que me mandaram por email. Tem já mais de um mês, mas vale a pena passá-lo, porque este debate ainda está em curso.»

 

Eu: «O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, em entrevista ao Financial Times, admite que o Governo vai alterar as leis laborais, para as tornar “mais flexíveis”. Três semanas depois de a ministra do Trabalho, Helena André, ter garantido categoricamente que “neste momento não faz parte da agenda do Governo a alteração da legislação laboral”. O desnorte no Governo socialista é cada vez mais evidente. A situação, de facto, é “insustentável”, como referiu o Presidente da República. Diga José Sócrates o que disser.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *