
Ana Margarida Craveiro: «Estamos a falar de fechar escolas em zonas onde as moderníssimas auto-estradas não chegam, nem sequer aparece o alcatrão necessário para remendar estradas com mais de 60 anos, zonas onde o progressista TGV e o novo aeroporto não entram nas conversas. Esse país, esse Portugal ainda tão parecido com 1950, ainda existe. E o governo – qualquer governo – tem a obrigação de governar também para esses portugueses. Fechar-lhes as poucas manifestações de administração central que têm não é a melhor maneira de manter o país habitado – agora já tão escassamente. Empurrar ainda mais esta gente para os subúrbios de Lisboa é a nossa escolha?»
Ana Vidal: «Hoje, em vez de dizermos em posts como as crianças são bonitinhas e engraçadas, em vez de lamentarmos as que sofrem e passam fome, as que não têm acesso ao mais básico conforto, as que vivem em cenários de guerra ou são vítimas de todo o género de abusos, façamos alguma coisa de concreto. Se não podemos acudir a todas elas, tratemos de ajudar UMA. Hoje, parece-me um bom dia para divulgar esta notável campanha da Diocese de São Tomé e Príncipe: dando a uma criança uma oportunidade de desenvolver-se mais harmoniosamente, estaremos a melhorar também todas as vidas que ela vier a tocar, no futuro, com os instrumentos que lhe demos.»
João Carvalho: «O jovem Clint [Eastwood] fez ontem 80 anos. Esta lembrança está atrasada? Também a da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas está, que ainda só lhe deu quatro Óscares: dois de Melhor Realizador e dois de Melhor Filme, entre oito nomeações. Há-de ser sempre pouco, para este cineasta e autor cuja obra já entrou na História da Sétima Arte. Com uma carreira brilhante e multifacetada, gasta menos do que os orçamentos, filma com rapidez e perfeição e tem fama de só dizer três palavras em trabalho: okay, action e cut.»
Sérgio de Almeida Correia: «As razões que são agora invocadas para [o PS] apoiar Manuel Alegre já eram válidas em 2005. Por isso, aquilo que eu gostaria de ter lido ou ouvido Mário Soares explicar era por que razão o erro grave e fatal é o que o PS comete agora e não foi aquele que atirou Cavaco Silva para Belém e que o deixou, a ele Mário Soares, na história das presidenciais com uma votação típica do Bloco de Esquerda. Depois de ter vencido por duas vezes as presidenciais essa votação foi obra. Eu teria vergonha desse resultado e da falta de visão política que essa candidatura representou. Porém, admito que a memória já não dê para tudo.»
Teresa Ribeiro: «Hoje a justiça é pior do que há quatro anos. Esta evidência está a pôr em risco o Estado de Direito.»
Tomás Vasques: «Os dados estavam lançados há muito tempo e o PS amarrado a Alegre, desde há muito tempo, nas presidenciais. José Sócrates teve o mérito de impedir uma profunda clivagem no interior do partido, ao apoiar o poeta, sem deixar de se distanciar do apoio concedido. A partir de agora, a batata quente passou para as mãos do candidato que tanto se empenhou na “frente popular” entre a extrema-esquerda e o socialismo democrático, uma quimera provavelmente ainda de origem argelina. Durante os próximos seis meses, Manuel Alegre vai andar num rodopio, em bolandas entre os apelos de Louçã contra os “banqueiros e os capitalistas sanguessugas” e as medidas de austeridade do governo a atingirem também os desempregados. Será um autêntico cata-vento, sem coerência, sem estratégia, sem rumo.»
Eu: «Desafia-me o Pedro Lomba a mencionar exemplos concretos de leitura minimalista dos poderes constitucionais [por Cavaco Silva]. Já aqui deixei alguns, relacionados com a representação externa do Estado português, o défice de comunicação do Presidente com os portugueses e uma preocupante dissonância entre as prioridades que Cavaco foi enunciando e a realidade. E aqui vai outro: recentemente, o Chefe do Estado orgulhava-se de nunca ter vetado um diploma do Executivo, o que o torna no maior avalista da prática governativa de José Sócrates. Será mesmo motivo de orgulho?»
