
João Carvalho: «Ontem, entre Caracas e Lisboa, José Sócrates fez um stop over na Madeira. Nada de especial. Apenas saudades. Alberto João Jardim só tem olhinhos para ele, que anda tão precisado de levantar o ego.»
José Gomes André: «Por que combaterá alguma Esquerda (e particularmente a Esquerda socrática-chique) a reeleição de Cavaco? Não por recear verdadeiramente “um golpe de Estado constitucional”, nem tampouco por ver nela um escolho à governação socialista. Nada disso. Tal oposição surgirá porque a Esquerda socrática-chique opera como uma claque de futebol, orientando-se por “emoções” e espírito vingativo, e não por cálculo político ou análise racional.»
Luís M. Jorge: «Em Novembro de 2005, Andre Sapir, professor da Universidade Livre de Bruxelas, analisou o conceito de modelo social europeu e apelou à sua renovação num documento que podem consultar aqui. O desafio foi suficientemente interessante para merecer destaque na imprensa económica internacional.»
Sérgio de Almeida Correia: «O que é triste constatar é que o PS carregue hoje o soarismo como uma canga. E isso é uma coisa execrável. Para o partido, mas também para todos aqueles que dentro dele se atrevam a pensar o futuro ou que rejeitam ser os régulos e os mainatos dos líderes que transitoriamente ocupam o poder. Chamem-se eles Soares, Guterres ou Sócrates.»
Eu: «Comunista de nome, capitalista selvagem na prática, a China é um país que proíbe o direito à greve, a existência de partidos da oposição e a formação de sindicatos independentes do poder político. E com as condições laborais bem exemplificadas aqui. Sempre com a benévola compreensão do PCP, que combate cá o que aplaude lá – uma duplicidade que desqualifica todo o seu discurso. Não se pode pugnar pela democracia num continente e pela ditadura noutro sem perda da autoridade moral para combater o que quer que seja.»

“Não se pode pugnar pela democracia num continente e pela ditadura noutro sem perda da autoridade moral para combater o que quer que seja.”
Mas pode, infelizmente. Dez anos depois (e já bem antes), pode. Não deveria poder, não no plano dos princípios, da ética, da moral. Dos nobres valores que se quiser invocar. Mas a realidade não se guia por eles; apropria-se deles e perverte-os, com – por cá – não mais do que um fatalista encolher de ombros. Ou com a entusiástica aprovação de um número ainda apreciável de cidadãos. Recente sondagem parece colocar o PC (reportemo-nos só ao PC) ainda acima dos cinco por cento das intenções de voto. Nada mau para quem vê a sua morte política anunciada há tantos anos, como efeito da simples passagem do tempo. São longevos, então, os comunistas – terão também superioridade biológica? -, ou as “t-shirts” do Che continuam a exercer fascínio sobre número não desprezível dos novos. O Mal sempre fascinou, isso é sabido.
A autoridade moral lá está, na deferência com que a comunicação social os venera e deles solicita posição que logo veicula como especialmente autorizada, credora de respeito, fruto de não sei quantas centenas de anos – é assim que se mede o heroísmo – de gloriosa resistência às mãos dos carrascos do fascismo salazarista. Sim, porque em Portugal houve fascismo. O nome, então, do que foi aquilo em Itália, não o sei. Mas há-de estar algures, sem dúvida, numa preclara tese, forçosamente reveladora e em bom tempo apresentada em congresso do Partido. Falta minha, impõe-se a autocrítica, que a não li.
A autoridade (a superioridade, conforme genial revelação a seu tempo derramada sobre tantos que a não souberam merecer) moral lá está, na pronta submissão com que o primeiro de Maio da Fonte Luminosa foi aceite pelo poder e pelo povo, e copiosamente divulgado, como demonstração da mais natural (e intocável) legitimidade – leia-se, autoridade – dos comunistas. Evidentemente, seres acima da lei (acima, se não da letra, do cristalinamente óbvio espírito da lei). Lei sem dúvida burguesa e capitalista, neo-liberal e reaccionária. Lá está, a autoridade, também na benção da presidência da república já dada, sob a forma, parece, de uma espécie de interpretação autêntica da lei, à festa do Avante. Para que não restem dúvidas de que há votos que valem mais do que outros. Ou metem mais medo.
Lá está, a autoridade, no generalizado medo de chamar as coisas pelo seu nome, que lhes permite aos comunistas gozar de uma influência que muito ultrapassa o seu peso eleitoral e passa impune por entre os seus terríveis crimes históricos, enquanto se imputa fanaticamente e à náusea toda a maldade do mundo ao que à direita vai crescendo também por cá. Se o segundo é, sem mais, fascista (já se lhe chama nazi), os primeiros são estalinistas. E venha o diabo e escolha.
E assim se vê a força do PC.
Costa