DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Em busca de um livro que há tempos me escapava tropecei no Conocer el Autor, portal ibero-americano similar ao original born in U.S.A, bem como ao congénere britânico. Do que pude ver, o da língua vizinha em nada lhes fica atrás. Aos que gostam de ouvir os que escrevem deixo a sugestão.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Suponho que agora vai ter lugar a versão “o primeiro-ministro José Sócrates, oficialmente, nunca recebeu qualquer sms de Armando Vara”. É que o telemóvel deve estar só em nome do José Pinto de Sousa.»

 

Ana Sofia Couto: «Numa sociedade perfeita (que, como diz um poema de que gosto muito, é daquelas coisas que não há mas há – existem utopicamente, em pensamento ou ideia), o trabalho e a vida não se opõem. Num sistema demasiado imperfeito, o trabalho está mais perto da morte do que da vida. É nesse sistema que é possível que “uma empresa peça aos funcionários para assinarem documentos a garantir que não se vão suicidar“. E quando nem os monges budistas podem ajudar, o melhor é colocar umas redes para travar as quedas.»

 

Ana Vidal: «Nessa altura não o sabia ainda, mas o meu optimismo salvou-me, uma vez mais. Ganhei eu, em todas as frentes. Venci as palavras, venci os envelopes mensageiros da escuridão. Passaram dez anos. Venci os envelopes, sim, mas eles rogaram-me uma praga, como vingança: a de ter de abri-los, para o resto dos meus dias, com um misto de medo e de esperança, mas nunca mais com a confiança que tinha antes. Há dez anos que os abro, há dez anos que ganho eu. Hoje foi dia de abrir envelopes, e uma vez mais me intimidaram. Mas hoje, uma vez mais, a caverna de Ali Babá só tinha pérolas e ânforas de ouro para mim.»

 

José Gomes André: «Primeiro, não havia crise. Depois havia crise, mas Portugal estava imune aos seus efeitos. Em seguida, Portugal já não estava imune, mas estava preparado para enfrentá-la. Depois já não estava assim tão preparado, mas foi o primeiro país a sair da crise. Em seguida aceitou-se que a crise continuava, mas logo se afirmou que era igual em todo o lado. Depois já não era igual em todo o lado e Portugal estava muito mal, mas a culpa era do ataque especulativo.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O mundo está cheio de homens de boa vontade e nunca serão suficientes os que há. Maus políticos é que já temos demasiados, [Fernando] Nobre podia ver isto. Não o vendo, com sorte, arrisca-se a não passar a fasquia dos 3%.»

 

Eu: «O barómetro de Maio da Marktest para a TSF e o Diário Económico dá hoje as melhores intenções de voto ao PSD das últimas duas décadas e a pior de sempre ao PS sob a batuta do actual primeiro-ministro, números que só podem espantar os mais fanáticos ou os mais distraídos. É cada vez mais evidente que o País está cansado de Sócrates.»

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