DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Campos: «Nunca percebi a aversão nacional a José Mourinho. Ou melhor, perceber até a percebo, e por isso mesmo a acho triste. Mourinho recusa assumir um dos piores e de longe o mais irritante traço de carácter nacional: a falsa modéstia. Mourinho não precisa de que alguém lhe diga “és muito bom treinador”; ele sabe que é muito bom, sabe que é um dos melhores. Sabe o que trabalhou (e trabalha) para isso. E assume-o. Cá no burgo, dizemos que ele é arrogante, como dizemos que é arrogante qualquer pessoa que deixe de lado a miserável falsa modéstia nacional e assuma o valor que tem.»

 

Paulo Gorjão: «Fruto das circunstâncias, em menos de 15 dias, José Sócrates e Lula da Silva encontram-se por duas vezes. O observador menos atento poderia pensar que estaria perante uma relação prioritária para os dois países. Uma leitura mais atenta, porém, revela que a retórica, que por regra valoriza muito a relação bilateral, nem sempre tem sido acompanhada pela respectiva prática política. Apesar dos laços históricos e culturais, a verdade é que a relação política e económica está longe do que seria, porventura, expectável e possível.»

 

Teresa Ribeiro: «Ontem Santana Lopes foi entrevistado na SIC Notícias. Falava da crise económica como se nunca tivesse posto as mãos na massa. Nisto, de resto, não é original. Os ex-governantes sabem que o povo tem memória curta.»

 

Eu: «Passo pela Minerva, uma das “minhas” editoras de sempre, e abasteço-me de algumas pechinchas: Madame Bovary (Flaubert), A Tulipa Negra (Alexandre Dumas), Inocente da Tua Morte (Nicolas Freeling) e Um Americano em Porto Rico (Edwin Rosskam). Já da zona dos alfarrabistas trago O Homem que Era Quinta-Feira (Chesterton), Ilha de Verão (Erskine Caldwell) e Conversações com Estaline (Milovan Djilas). E é só por já ter peso a mais nos sacos que não venho de lá também com os dois volumes de E Tudo o Vento Levou (dez euros) e os seis volumes de Guerra e Paz (12,5 euros). Tudo em estado impecável, como novo.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. O Pedro Correia deve ter uma casa muito grande, para nela poder acumular tantos livros. Uma casa com muitas estantes, como aquelas que as pessoas fazem questão de exibir nas entrevistas online. E uma empregada doméstica, para limpar o pó dos livros todos.
    Enfim, coisas que o comum dos mortais não tem.

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