DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Cláudia Vicente: «Apesar de se terem mantido à venda em algumas mercearias das nossas cidades e vilas, só no último par de anos vi as famosas garrafas de xarope de capilé regressarem em força à  vizinhança das de groselha, sobretudo nos grandes supermercados. Chegado de chapa o calor, a quem nunca provou o centenário refresco português feito com  base em extracto de avenca deixo um capilé fresquinho por sugestão. É mais suave que chá gelado, não tão acre quanto limonada, menos insípido que ginger ale, mais inocente que cerveja e menos caro que qualquer sumo de pacote.»

 

Paulo Gorjão: «A iniciativa do Brasil e da Turquia é um desafio ocasional à hegemonia dos membros permanentes no Conselho de Segurança da ONU? Estamos a assistir ao inevitável ajustamento dos equilíbrios de poder no sistema internacional, com a ascensão de novas potências?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «É todo um país que definha e que há muito perdeu o sentido de si, enquanto os membros da sua classe política mais não fazem do que oferecerem a si próprios a tranquilidade de se imaginarem importantes. Jorge de Sena chamou-lhes uma camarilha. Eu não tenho nem um milésimo da sua autoridade e da sua coragem para colocar as coisas nesses termos. Por isso me abstenho de qualificá-los. Não quero ofender ninguém.»

 

Teresa Ribeiro: «Na sequência das legislativas antecipadas de 2002 o novo governo PSD/ CDS-PP, liderado por Durão Barroso, depois de prometer um choque fiscal durante a campanha, acabou por dizer que o país estava de tanga e por ter deixado Manuela Ferreira Leite, então ministra das Finanças, aumentar o IVA de 17% para 19%. Para conseguir apresentar a Bruxelas um défice dentro dos 3% do PIB, MFL alienou património, vendeu a rede fixa da PT e as portagens da CREL à Brisa. Também congelou os salários da Função Pública por dois anos e colocou um travão ao endividamento das autarquias.»

 

Eu: «Sócrates, que não se atreve hoje a confrontar o Parlamento com uma moção de confiança, gostaria certamente de ver a oposição brincar periodicamente às moçõezinhas de censura, estridentes mas inócuas. Fez bem o PSD em demarcar-se: o Governo, enredado em sucessivas trapalhadas, pode e deve ser combatido de outra maneira. Qual? “Nunca interrompas um inimigo quando estiver a cometer um erro”, recomendava Napoleão. É isto. Precisamente isto.»

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