DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Poupem-vos uns euros, e esperem pelo filme na televisão, num qualquer sábado à tarde em que não tenham muito que fazer. Basicamente, [Ridley] Scott resolveu incluir na lenda clássica do Robin Hood (roubar aos ricos para dar aos pobres) uma conspiração internacional, a conquista da Magna Carta, uns duendes de floresta, uma Marian tipo Joana d’Arc, uma princesa francesa a querer ser rainha, um cavaleiro que não sabia que o era, etc., etc. A verdadeira salganhada, como dizia.»

 

João Campos: «Registe-se a ironia de eliminar o feriado de 5 de Outubro no exacto ano em que se comemora o centenário da República. Parafraseando o (saudoso) Diácono Remédios, não havia necessidade: o 5 de Outubro devia, na minha opinião, ser sempre um feriado. Não pela implementação da República, mas pela assinatura do Tratado de Zamora, naquele dia do ano de 1143, que assinalou a independência de Portugal face a Castela.»

 

João Carvalho: «É razoável perceber-se que muita gente planeia a sua vida com muita ginástica, com dramática acrobacia. Por isso, é bom que não se embarque em qualquer atoarda que surja, porque os tempos são propícios à mais variada especulação. Muitas vezes, são rumores lançados para se saber a reacção e ver se colhe. Preparemo-nos para os embates.»

 

José Gomes André: «“José Sócrates garantiu hoje que a sobretaxa de IRS será cobrada apenas a partir de 1 de Junho e sem efeitos retroactivos”. Sócrates, o tal que há um mês garantia que não subiam os impostos. O tal que há um mês garantia que o aeroporto era para avançar mas agora acha melhor não. O tal que há um mês garantia o TGV Lisboa-Madrid, há uma semana garantia o TGV Poceirão-Caia e ontem dizia garantir afinal Lisboa-Madrid, só que não sabe bem quando.»

 

Luís M. Jorge: «O Miguel Abrantes encanita-se com Belmiro de Azevedo: quando o povo tem fome, tem direito a roubar defendeu ontem o patrão da Sonae. Comprendo bem a irritação do Miguel: todos sabemos que o povo, antes de roubar em liberdade, deve fazer parte do grupo parlamentar do Partido Socialista.»

 

Paulo Gorjão: «Todos os dias este Governo (re)lembra que a sua validade expirou ainda antes de começar. Em nome do bom senso, a agonia não pode passar deste Verão. Não pode, ponto.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A Tailândia está há muitos anos na mãos de generais e de elites ocidentalizadas. A corrupção há muito que é conhecida. O seu povo venera o Rei, mas ciclicamente lá vêm os tanques para a rua. É a prova, se é que ainda seria necessária, de que a violência tanto atinge repúblicas como monarquias e que estas não são garantia de estabilidade, paz e progresso. Há boas e más repúblicas como há boas e más monarquias e não é a natureza republicana ou monárquica do Estado que faz a diferença. São os homens e as regras.»

 

Eu: «Há 18 governadores civis em Portugal – um por distrito – o que contraria sucessivas promessas de vários partidos, nomeadamente aquele que tem governado desde 2005. Neste caso, como em tantos outros, as boas intenções ficaram no tinteiro: o cargo de governador civil é hoje uma sinecura especial, uma espécie de prémio de consolação para candidatos a deputados que não conseguiram um lugar em São Bento por decisão exclusiva dos eleitores. Fora do Parlamento, rumam aos governos civis – assim sucedeu, uma vez mais, na sequência da magra vitória eleitoral do PS em Setembro do ano passado. Isto contribui para desprestigiar a função e faz avolumar as suspeitas de que a tão anunciada extinção dos governos civis só não ocorreu já por mera conveniência partidária. O que é a pior maneira de encarar a administração pública.»

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