DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Campos: «Há alguns anos, quando ainda era estudante, costumava ocupar os meus Verões a trabalhar num restaurante na costa alentejana. Numa ocasião, estiveram no restaurante três rapazes, obviamente mais velhos do que eu, que a dada altura e por qualquer motivo (acho que estava a dar um jogo na televisão), enquanto lhes servia os bitoques, me disseram pertencer aos Super Dragões. Um deles pergunta-me “sabes qual é a minha especialidade nos Super Dragões?”. Disse-lhe que não, e perguntei qual era. “Prateleiras de áreas de serviço”, respondeu-me ele. O que é triste é que até é uma especialidade com futuro neste país.»

 

João Carvalho: «Acabo de ouvir o ex-porta-voz do PS Vitalino Canas dizer repetidamente, com o ar mais feliz do mundo, que a promulgação do diploma sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um “imenso avanço civilizacional”. Não estou certo, mas isso não vem ao caso — o PS achou que era uma medida fundamental nos tempos que correm, dividiu opiniões e sensibilidades e ganhou a sua. Do que estou certo é que, entre os imensos avanços civilizacionais, o bem-estar dos cidadãos, com tudo o que isso implica (educação, progresso, segurança, justiça, trabalho, saúde, etc.), é claramente prioritário.»

 

Luís M. Jorge: «No dia em que soubemos que o Governo passou meses a falsificar as previsões do défice para fazer tranquilamente a sua campanha eleitoral, qual é a grande preocupação da blogosfera de Sócrates? A incoerência de Miguel Frasquilho.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Somos nós, cidadãos, que temos de decidir até onde queremos que vá a nossa liberdade. Antes que um fundamentalista qualquer decida de hoje para amanhã que estaremos condenados a comer batatas com acelgas, a deixar de tomar banho para não gastarmos água ou a acatar a “decisão” do rafeiro do vizinho que resolveu aliviar-se na primeira toalha de praia que encontrou.»

 

Eu: «Num notável exercício de hipocrisia política, o Presidente da República decidiu promulgar a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Fê-lo logo após ter andado vários dias a correr o País ao lado do Papa e deixando claro que discorda da solução jurídica adoptada, apesar de o Tribunal Constitucional ter eliminado todas as dúvidas que o Palácio de Belém em devido tempo suscitou. Por imperativos de consciência, ao que tudo indica, Cavaco Silva deveria ter vetado o diploma. Mas um imperativo de consciência, para o actual inquilino de Belém, soa a algo relativo.»

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