
J. M. Coutinho Ribeiro: «Alguém sabe, com rigor, quanto é que cada português deve pagar para equilibrar as contas públicas? É que eu quero pagar a minha parte rapidamente. Mas se sei que esse dinheiro vai ser roubado por alguém ou tristemente dissipado, não só peço a devolução, como vou às trombas do ladrão ou do incompetente.»
Teresa Ribeiro: «Vão à missa regularmente, fazem as suas peregrinações, rezam muito aos santos da sua devoção, mas confessar-se para poder comungar, nem pensar. A avaliar pela quantidade de católicos praticantes que conheço avessos ao confessionário, não será abusivo concluir que são muitos os que preferem acarretar com o fardo dos seus pecados do que arrepender-se, ainda que a prazo, das suas prevaricações.»
Eu: «O mandato que os eleitores portugueses concederam pelo seu voto ao PS de José Sócrates não previa factos tão relevantes como estes: a Comissão Europeia, via Banco Central Europeu, exercer um diktakt sobre o Orçamento do Estado português e a subida generalizada dos impostos, desde sempre negada pelo primeiro-ministro ainda em funções. Alguém ouviu Sócrates prometer que submeteria o Orçamento do Estado ao veto de Bruxelas ou que subiria os impostos sete meses após ganhar as eleições? O programa eleitoral do PS contemplava qualquer destas soluções? A resposta é negativa em ambos os casos. Isto significa que o contrato de confiança estabelecido nas urnas entre eleitos e eleitores, a 27 de Setembro de 2009, acaba de ser rasgado pelo chefe do Governo. Em termos de legitimidade política, esta legislatura chegou ao fim.»
