DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Num gesto simbólico, uma empresa portuguesa de congelados resolveu oferecer ao Papa uma caixa de… peixe: bacalhau, sardinhas, linguado, polvo. Estranhei não haver robalos, um presente tão apreciado em Portugal.»

 

André Couto: «Época em que Sócrates ganha legislativas, o Benfica é campeão!»

 

Bandeira: «Os açougueiros, que desde sempre haviam feito negócio na ponte velha, viram-se forçados a abandonar o local: gente delicada e sensível, os Medici não aguentavam o cheiro das vísceras e as imprecações dos magarefes. Desde então e até hoje, apenas inodora joalharia se vende nas lojas medievas sobre o Arno. O corredor de Vasari, esse, encontra-se encerrado; e de noite só ali passeiam, que eu saiba, os precários ectoplasmas da velha dinastia medicea.»

 

Paulo Gorjão: «Em suma, venham lá as grandes obras, aumente-se o IVA, receba-se menos IRS, leve-se uma talhada no 13º, reduza-se o subsídio de desemprego, e assim sucessivamente. É assim que eu sou feliz. Graças a José Sócrates, meu grande amigo.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Um tipo leva a época toda a preparar-se nos arruamentos do Estádio Algarve, correndo o risco de ser mordido por um rottweiler. Joga duas vezes por semana, sabe-se lá com que esforço, e não há dia em que não chegue a casa cheio de mazelas para dar cabo do gelo do frigorífico e da bisnaga do Hirudoid. De manhã, quando se levanta, parece que levou uma tareia, e no fim o que é que recebe? Nada. Nem um bilhetinho para a cidade do Cabo.»

 

Eu: «Neste momento, os “altos representes do Estado” – católicos, agnósticos, ateus – acotovelam-se para receber Bento XVI, no início da visita do Papa a Portugal. Ninguém quer ficar fora da fotografia, para mais tarde recordar. Nada tenho a objectar ao gesto aberto, generoso e hospitaleiro dos representantes do Estado português neste acolhimento a um líder espiritual que é também Chefe do Estado do Vaticano, além de representante da principal confissão religiosa do País. Um verdadeiro Estado laico não é aquele que ignora ou desrespeita as religiões: é aquele que sabe dialogar, conviver e cooperar com todas elas. Mas, até por isto, é chocante o contraste da recepção agora dispensada ao Papa com a atitude envergonhada dos mesmos “altos representantes” quando aqui veio o Dalai Lama, que apenas alguns deles receberam, e sempre pela porta das traseiras.»

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