
Adolfo Mesquita Nunes: «Podia Ricardo Rodrigues renunciar de imediato ao seu mandato depois de, ao furtar dois gravadores, ter sido apanhado e filmado em flagrante tentativa de condicionamento da liberdade de imprensa? (…) Podia o Partido Socialista, atónito com a solidariedade de Francisco Assis e surpreso com a falta de decência do seu deputado, retirar a confiança política a Ricardo Rodrigues? Podia. Podia, mas não seria o mesmo PS.»
João Carvalho: «O Governo vai pedir amanhã autorização à Assembleia da República para ir pedir lá fora nove mil milhões de euros. Motivo? Um empréstimo para emprestar à Grécia e mais qualquer coisa como poder responder a dificuldades entre os nossos parceiros europeus, no quadro financeiro periclitante que agita a UE. Ora, sabendo-se que a nossa contribuição para os gregos é de dois mil milhões e um tanto de euros, cheira-me que os outros parceiros beneficiários somos nós. É o que não tardará a saber-se.»
Luís M. Jorge: «Não sei porque pedem a demissão deste homem. Eu julgo que ele deve ficar onde está até às próximas eleições.»
Sérgio de Almeida Correia: «Chegar a Roma, ir buscar a taça e voltar para Milão. Foi o que Mourinho e a sua equipa fizeram ontem. Aqui está um português que exerce a acção directa, na hora e com toda a limpeza. Dentro da previsão legal, é claro.»
Eu: «Extraordinário. Um deputado, por sinal vice-presidente do grupo parlamentar do seu partido e representante do Parlamento no Conselho Superior de Segurança Interna, apropria-se ilegitimamente dos gravadores de dois jornalistas – que poderão conter matéria protegida pelo sigilo profissional, o que só agrava o seu acto, claramente violador da liberdade de imprensa. Em vez de receber críticas dos seus pares, recebe aplausos e pancadinhas cúmplices nas costas, na melhor tradição do nacional-porreirismo luso. E eis que, como por um passe de mágica, o ónus da culpa inverte-se: o dedo acusador passa a ser apontado aos jornalistas.»

Quanto ao Ricky Abutre Rodrigues , lembremos :
https://youtu.be/06y6Y1fQmwI
Creio recordar-me de o deputado Ricardo “três-dedos” Rodrigues, que roubava gravadores a jornalistas com uma técnica digna do eléctrico 15, pertencer (num daqueles exercícios de ironia com que o PS de então no poder, e muito do qual lá continua hoje, nos brindava) à Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação.
Depois, foi também proposto e eleito para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários – logo ele, que só deveria poder entrar no CEJ como objecto de estudo dos manuais.
E para terminar, foi fossilizar-se na Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, substituindo um presidente da câmara que adjudicara obras no valor de milhares de euros à empresa do marido da vice-presidente da câmara – e quem melhor, portanto, que Ricardo Rodrigues para manter o nível ético do cargo?
Neste aspecto registou-se um claro retrocesso parlamentar nestes dez anos. Não se encontra hoje ninguém tão ágil de dedos como esse saudoso amigo do (gravador) alheio.
Obrigado pela informação