DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Extraordinária revelação do Diário Económico: PPR do Estado fogem da dívida pública portuguesa. Extraordinária não por ser surpreendente, já que se espera que o Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social esteja atento ao mercado e actue em conformidade, mas por demonstrar à exaustão até onde vai a encenação do Governo – com repercussões graves na sua credibilidade internacional – relativa ao ataque especulativo à dívida pública portuguesa. É que das duas uma: ou o Governo mente ou o Estado português é parte activa nesse ataque. Qualquer uma das hipóteses assusta e dá bem conta de quem temos a governar-nos.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Há muito que sou fã dos desenhos da Lucy Pepper (lembram-se das capas da revista Atlântico? pois…). Mas sou também fã dos livin’ draws, uma espécie de histórias que seguem o traço da Lucy, a maior parte das vezes com música. São uma das minhas melhores formas de arejar – até porque a Lucy é inglesa e vive em Portugal, portanto tem uma visão muito peculiar deste nosso cantinho. Este livin’ é um videoclip para uma cantora inglesa, a Cloe Red, uma miúda de 15 anos que gravou agora o primeiro álbum. Gosto do vídeo, e gosto da música. Enjoy.»

 

Ana Vidal: «Esta extraordinária notícia chega-nos do fascinante mundo da publicidade. Será que a easy Jet ainda não descobriu que o Vaticano não é propriamente “pobrezinho”, e que o lugar do Papa nos céus já está há muito tempo reservado, sem necessidade de speedy boarding?»

 

João Campos: «Não deixa de me fazer confusão que um território tão grande esteja a ser progressivamente abandonado. E, creio, ainda só não o foi de todo porque, goste-se ou não, é necessário passar pelo Alentejo para chegar ao Algarve. Como não deixa de me fazer confusão que se tenha gasto tanto dinheiro num aeroporto pelos vistos inútil, em Beja, cujo projecto irá certamente contribuir para o anedotário local, quando se poderia ter poupado esse dinheiro… ou, caso a ideia não fosse poupar (nunca é), poder-se-ia ter investido esse dinheiro na modernização dos caminhos-de-ferro do Alentejo. Enfim, prioridades…»

 

José Gomes André: «Sim. Nos pavilhões da Leya, todos os livros publicados há mais de dezoito meses estão a 50%. Tal como em dois ou três stands de editoras corajosas (recordo a Presença, a Aletheia e a Europa-América, pelo menos). E também na maioria das editoras de livros infanto-juvenis. Não por acaso, havia uma notável concentração de almas em redor destes pavilhões ontem à noite. Os outros? Queixam-se da “crise no sector”. É muito mais fácil e possivelmente ainda acabam a receber uns subsídios estatais…»

 

Luís M. Jorge: «Agora pense — pense com muita força – no aeroporto, na ponte, nas auto-estradas, no TGV. Imagine-se a percorrer a Estremadura, uma brisa doce acariciando as searas, a beber orchatas de chufa enquanto a fronteira, lá ao fundo, se esbate num risco violáceo. Você está na Classe Conforto, o país vai bem, o futuro é sorridente — e a Paloma ou a Perla ou a Consuelo acaricia a barriga enquanto aguarda o fruto varão das suas incursões ibéricas. Talvez resulte.»

 

Eu: «Tendo o actual inquilino de Belém todos os atributos enunciados por Maria João Avillez, nestas suas comparações a preto e branco entre Alegre e Cavaco, percebe-se mal como é que Portugal “caminha para o abismo”: um Presidente com tão manifestas qualidades não é capaz de travar esta marcha fúnebre?»

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