DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Sabei que foi bonita a noite de ontem, no Palácio de Belém. Houve muita Poesia, dita, cantada e até dançada por quem melhor sabe fazê-lo neste país de poetas. Por umas horas (o que já é um verdadeiro luxo) esquecemos a crise, as catástrofes, as alterações climáticas, as tricas políticas, enfim… a pardacenta espuma dos dias que correm. Por umas horas, saboreámos a língua portuguesa com deleite de gourmets: palavra por palavra, sílaba por sílaba, letra por letra. Esta língua nossa que sabe e cheira a mar, de repente casada com música ou gestos, de repente assim mesmo, a solo, em todo o seu esplendor.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «Se para ir do Porto a Braga, ou do Porto a Marco de Canaveses ou Amarante pago portagem, por que raio não hei-de pagar portagem para ir do Porto à Póvoa de Varzim ou a Viana do Castelo? Deve haver alguma razão que me escapa. Por isso, se alguém quiser explicar-me, eu fico grato. Não me venham é com o argumento das estradas alternativas para um ou outro lado. Porque, aí, não vejo, também, qualquer diferença.»

 

João Campos: «Tenho acompanhado a “campanha interna” do PSD, passe a expressão, com moderado interesse, mas também com algum tédio. Interesse porque se trata do maior partido da oposição, e do partido no qual, até à data, sempre votei (excepto lá na aldeia, porque o PSD – a direita, aliás – nunca tem candidatos). Tédio porque a procura de um novo líder para o partido tem sido estranhamente parecida com um jogo de futebol entre duas equipas que não se suportam.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Todos sabemos que em numerosas situações é o próprio legislador que entende que o valor reduzido de algumas quantias justifica que não se efectue a cobrança, e isso deveria funcionar nos dois sentidos, como fazer depender a cobrança de um tributo de valor elevado do prévio pagamento de uma quantia ridícula, para além de não ter cobertura legal, é sinal de escassa inteligência. Mesmo em relação a valores mais elevados que estivessem em dívida, estando o pagamento do imposto em dívida garantido pelo bem que o contribuinte vai adquirir, tendo o fisco conhecimento prévio da transacção que se irá efectuar e podendo desde logo tomar medidas, nada justifica esse tipo de atitude.»

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