
Ana Margarida Craveiro: «Vasco Pulido Valente é um excelente cronista. Num dia bom, é mesmo muito bom. O que é pena são todos os dias maus, em que acumula tontices e faltas de bom-senso. Hoje deu-lhe para criticar quem critica as prendas a altas figuras do Estado. Chama-lhe ele um excesso de virtude, ou semelhante expressão jocosa. Aliás, cita o valor das prendas atribuídas por Manuel Godinho, o famoso sucateiro, mostrando com isso que o montante é risível. Só posso concluir que Vasco Pulido Valente não vive na mesma realidade que nós. Não vive num país minado pela corrupção e tráfico de influências, onde todos os gatos são pardos.»
Teresa Ribeiro: «Nos tempos do João Semana, em que a subserviência do povo era manifesta nas mais diversas situações, a relação desigual entre médico e doente existia, mas ao menos era compensada pelo espírito de serviço e amor pela profissão dos que então enveredavam pela Medicina. Mas desde que o acesso a este curso passou, nas últimas décadas, a ser filtrado por médias impossíveis, deixando milhares de vocações frustradas pelo caminho, só por acaso nos cruzamos com um clínico que também é médico por vocação e não só porque a carreira assegura prestígio social e dinheiro.»
Eu: «Por maiores que sejam os sinais do seu iminente naufrágio político, o primeiro-ministro continua a viver no mundo do faz-de-conta, confundindo a opinião dos yes men que ainda o rodeiam com o pensamento dos portugueses. O pior é que o PS vai naufragando com ele, como muitos socialistas já se aperceberam. Muito pior ainda: também o País está em risco de se afundar. O último a aperceber-se disso é Sócrates. “Uso a minha inteligência emocional para ignorar tanta coisa que se escreve e se diz”, declara ao JN, numa frase extremamente reveladora. Nós – ao contrário dele – vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar.»
