
Ana Vidal: «”O primado da pessoa humana”, de que fala AJJ [Alberto João Jardim], será alguma coisa ao primo Basílio?»
Teresa Ribeiro: «Cresci a ouvir bocas sobre os donos do poder. Dessas generalizações gratuitas de taxista o que não era gratuito e nos caracterizava como povo era o tom lamuriento desses desabafos, reflectindo o conformismo que conduzia àquela apatia morna de que tão bem nos falou O’Neill. Mansos, quase vegetais, os portugueses têm sido o povo mais fácil de desgovernar do mundo. Uma tentação para quem chega ao topo com o ADN tuga nas veias: para quê mudar, se tudo pode ficar na mesma?»
Eu: «Um partido que ainda não festejou o 36º aniversário reúne hoje o 32º congresso – à média de quase um por ano, o que diz tudo sobre o seu rumo errante. Com o País mergulhado numa das mais graves crises das últimas décadas, ouço cavalheiros de voz grave aludindo à necessidade imperiosa de promover “mudanças estatutárias” como se recitassem a ‘Chuva Oblíqua’, de Fernando Pessoa: “Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito.” E confirmo que por lá se mantém acesa a chama sebastianista. “Espera pelo professor Marcelo?” – é a pergunta insistente dos repórteres à porta do congresso. Noutros conclaves sociais-democratas, o Sebastião de turno chamava-se Santana. Ou Durão. É assim o PPD/PSD: o líder desejado é sempre o que lá não está. Pura chuva oblíqua: “O vulto do cais é a estrada nítida e calma / Que se levanta e se ergue como um muro.”»
