DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Em Portugal, o Presidente da República é eleito directamente, por sufrágio universal. Ou seja, tem uma legitimidade democrática que não pode ser escamoteada, e que se traduz directamente numa responsabilidade política. Cavaco Silva não foi eleito para ser uma espécie de rei sem trono, a receber delegações de cidadãos e atribuir comendas; Cavaco Silva não foi eleito para dar lições esporádicas sobre a importância do emprego dos jovens, ou a pobreza nos distritos do interior. Antes das presidências abertas estão as suas competências constitucionais, de garante das instituições e fiel servidor da democracia. É por aí que ele deve ser Presidente, é por isso que gastamos tempo e dinheiro a eleger um Presidente.»

 

João Campos: «Esperava um bom concerto, mas não esperava de todo um concerto tão bom (terá sido dos melhores a que já assisti). Nem me pareceu que eles, os Cranberries, esperassem um público tão bom. Fizeram o público saltar com a Zombie e a Salvation, encantaram com a Linger e com a Animal Instinct, e terminaram em beleza com a Dreams. Entre muitas outras. Dolores O’Riordan, incansável em palco, prometeu regressar. Cá os esperamos. Os anos 90 ainda não morreram, afinal.»

 

João Carvalho: «Parece sina. Já não bastava que se verificasse a falta de segurança de uma ponte e ficasse à espera que ela caísse. Ciclicamente, em Portugal começa a betonar-se uma ponte ou um viaduto e a estrutura abate e ceifa as vidas que apanha. Depois, fecha-se um perímetro em volta do sinistro e aparecem invariavelmente uns figurões a dizer para as câmaras com ar solene: “A normalidade só será restabelecida quando estiverem reunidas todas as condições de segurança.”»

 

Paulo Gorjão: «Não há eleição política em Portugal em que uma franja do eleitorado não diga que o seu candidato é alguém que não se apresenta a votos. Nas eleições directas que agora se avizinham no PSD há quem suspire por Marcelo Rebelo de Sousa ou por Rui Rio. O eterno problema, como em tudo na vida, é que o leque das escolhas disponíveis condiciona as opções disponíveis. De nada adianta suspirar por Rebelo de Sousa ou por Rio. Isso só enfraquece quem está efectivamente na corrida sem que daí resulte qualquer vantagem. Os candidatos que se apresentaram a votos não são os ideais? É a vida. A real.»

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