DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Coutinho Ribeiro: «O pior – o que é mesmo grave – é que acabo por descobrir que até a empregada do café ao lado do escritório sabe mais da actualidade do que eu, o que às vezes me abisma – a minha ignorância, que não a sabedoria dela. Que se passa comigo? Pois, não sei bem. Mas, por estes dias, conseguirei descobrir se quem precisa de ser internado sou eu, ou se é o país, ou ambas as coisas. Uma coisa é para mim certa: descri. Descri do país. De quem governa, de quem quer governar, de mim como português e dos portugueses em geral. Estarei mesmo muito mal? Chegou a hora de mudar a profissão para taxista?»

 

Paulo Gorjão: «Uma dúvida, enquanto o Governo se desfaz e divulga um Plano de Estabilidade e Crescimento que, entre habilidades com as palavras, nítida e claramente aumenta a carga fiscal. Nem com todo o spin do mundo o Governo conseguiria esconder o óbvio: a sua clara ausência de rumo e a total deriva.»

 

Eu: «Fala de si próprio na terceira pessoa, como Júlio César e Mário Jardel. Garante que existem “condições de governabilidade”, sem gaguejar no palavrão. Diz aos portugueses que o Presidente da República “não pode demitir o Governo por falta de confiança política”, como se alguém tivesse a mínima dúvida nessa matéria. Elege a “estabilidade” como valor supremo na política. Confessa estar “sereno” e “tranquilo” num país que tem 560 mil desempregados e 20% dos jovens sem perspectiva de trabalho. Gaba-se de nunca ter vetado um só diploma do Executivo, como se isso lhe devesse granjear mérito.»

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