
Teresa Ribeiro: «Quando discuto as questões da eutanásia e do suicídio assistido verifico que quem as crítica inapelavelmente por norma se recusa a debater sobre os casos concretos que chegam à opinião pública. Percebo. É sempre mais complicado defender que uma determinada pessoa deve continuar em sofrimento extremo até à inanição do que argumentar que a vida é inviolável, seja em que circunstância for. Sem dúvida é mais poético este tipo de discurso. Só que a vida não é uma abstracção e não há nada mais concreto do que a dor física.»
Eu: «É este o romance a que me refiro: História de Duas Cidades (1859), de Charles Dickens. Um livro que li na pré-adolescência e que para sempre me marcou. E a propósito de Dickens: ainda há dias, num alfarrabista de Cascais, encontrei um exemplar de David Copperfield, numa velha – e muito bem conservada – edição da Romano Torres. Trouxe-o para casa por 3,5 euros, já comecei a reler este romance com uma paixão antiga. Enquanto me questiono: por que motivo as obras deste autor desapareceram do mercado editorial português?»
