
Ana Vidal: «Apresentou-se hoje mais um candidato à liderança do PSD, Castanheira de Barros de seu nome. Nada contra. Venham mais cinco, como dizia o outro, e todos serão poucos para endireitar o que parece já não ter remédio. E não só no partido como no próprio país. O que me leva a comentar esta candidatura é o discurso de apresentação do novel candidato, todo ele assente em metáforas futebolísticas. Este truque já vem sendo hábito entre os políticos, eu sei, mas irrita-me solenemente que alguém parta do princípio de que só a linguagem do futebol é inteligível para os portugueses.»
José Gomes André: «O que está em causa não é, nem poderia ser, desvalorizar o sentido do voto popular, mas antes clarificar que esse valor – invocado com frequência como definitivo – não constitui um salvo-conduto para os vencedores dos actos eleitorais relativamente aos seus actos futuros. Em suma, (…) não sei se Sócrates violou ou não a lei, mas incomoda-me que alguém ache que isso não importa dado que ele ganhou as eleições.»
Eu: «A facilidade com que se editam livros, nos dias que correm, é directamente proporcional à falta de elementares cuidados nestas edições. O que se comprova nos mais pequenos pormenores. Neste livro que estou a ler, por exemplo. É Numa Pensão Alemã, da grande escritora neozelandesa Katherine Mansfield, contemporânea de Kafka, Pessoa e Thomas Mann. Tento informar-me sobre a data original da publicação desta obra nas badanas do livro. Só consigo ficar baralhado. A badana esquerda indica-me que Mansfield, falecida aos 35 anos, “ficou conhecida pelos seus inúmeros(?) livros, entre os quais Numa Pensão Alemã (1920)”. Enquanto a da direita indica que foi na Baviera que “escreveu as histórias publicadas pela primeira vez em formato de livro em 1911, intitulado Numa Pensão Alemã. Assim vai a edição em Portugal: aumenta a quantidade, piora a qualidade. A olhos vistos.»
