DELITO há dez anos


Pedro Correia,

39b608e95118d5d9c8efc36c2a387b46--hourglass-top.jp

 

Adolfo Mesquita Nunes: «Se por absurdo um primeiro-ministro é ilegalmente filmado a matar alguém, filmagem essa sem qualquer valor probatório, podem os cidadãos ignorar tais imagens se, por alguma forma, elas se tornaram públicas, alegando que não tendo qualquer valor probatório elas nada provam?»

 

João Carvalho: «O Chevrolet Bel Air de 1957 que está no topo é um carro normal que tem pouco de normal: enorme, luxuoso e gastador, como todos os carros norte-americanos do tempo do Elvis (e não só). Já o carro idêntico que se segue não é normal e tem tudo para ser normal: só um europeu é que o acharia anormal. Contrastes do sonho americano que tantas vezes é um pesadelo para o mundo.»

 

Luís M. Jorge: «Na minha meninice devorei os romances de Harold Robbins: nessas narrativas corajosas, em palavras duras, os protagonistas ficavam multimilionários e conduziam bólides nas 24 Horas Le Mans. (…) O que me agradava sobremaneira nas aventuras dos canalhas mais ricos do mundo era a exibição das suas acrobacias eróticas: esses homens, leitor, tinham falos, e esses falos, leitor, só conheciam dois estados — ou estavam erectos ou, hélas, entumescidos. Pontualmente também os encontrávamos rijos, túrgidos, e até mesmo, se a memória não me falha, tumefactos — mas nunca, nunca por amor de deus se achavam moles, tenros, frouxos, indolentes ou descaídos.»

 

Eu: «É consolador saber, como ontem revelou Henrique Monteiro na Assembleia da República, que temos um primeiro-ministro com disponibilidade para falar mais de uma hora ao telefone com o director do Expresso, numa noite de quinta para sexta-feira, procurando dissuadi-lo de publicar uma notícia que lhe dizia respeito. Mais consolador é presumir que este procedimento deve decorrer ao abrigo de uma alínea qualquer do Estatuto do Jornalista que ainda há poucos dias Arons de Carvalho enaltecia, também no Parlamento, como demonstração cabal de que não existem condicionamentos à liberdade de imprensa em Portugal.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *