DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Quando alguém se atreve a criticar o que o chefe diz ou faz, há um costume muito curioso: saltam logo as galinhas a cacarejar “ó-da-guarda”, “aqui-d’el-rei”. Trata-se daquilo a que muitos chamam “política de galinheiro”. Eu prefiro chamar-lhe “política de aviário”, que é onde as galinhas acabam por nunca ficar muito tempo. Em Portugal é que esse costume não anda a atravessar os seus melhores dias. Talvez porque há cada vez mais pintos do que galinhas nos poleiros. É só a gente bater-lhes o pé que eles saltam logo para debaixo das asas do galo.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Ainda não foi eleito líder do partido [PSD] e aos poucos vão-se sabendo as verdades que queria esconder. Porquê? Será que sente vergonha do facto de ter sido militante do CDS/PP durante cerca de três anos? Que diabo, não foi propriamente uma inscrição feita na adolescência, quando a barba começava a despontar, mas uma opção numa idade em que já era presumível alguma maturidade. A não ser que [Paulo] Rangel considere que aos 28 anos ainda não tinha acordado para a política.»

 

Eu: «Li atentamente a entrevista de Fernando Nobre ao Expresso e tive de imediato a sensação que algo não batia certo. Diz ele que decidiu concorrer ao Palácio de Belém depois de ouvir durante “dois ou três meses” várias personalidades, entre elas os ex-presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares. “Falei com toda a gente, não houve nenhum sector da política portuguesa que eu não tenha abordado”, diz o presidente da Assistência Médica Internacional. Ora aqui está o que não bate certo: para quem falou com dezenas de pessoas, do CDS ao Bloco de Esquerda, é estranho ter deixado de fora Manuel Alegre. Nem sequer teve curiosidade de saber se o poeta tencionaria recandidatar-se à presidência.»

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