
João Campos: «Francisco José Viegas escreveu, há seis anos, esta bela prosa sobre o carnaval lusitano. E há seis anos que se limita a publicá-la novamente, por esta altura, nos seus blogues. Faz bem: o texto é certeiro, e permanece actual. Diria mesmo que aquele texto irá permanecer actual por muito, muito tempo. Infelizmente.»
João Carvalho: «Se Aguiar Branco vier a desistir, ainda poderá dizer-se que o fará em nome de interesses superiores, que não os dele. Já se for Paulo Rangel a deixar a corrida, a história é déjà vu: Rangel também garantia abespinhado que não seria candidato, horas antes de anunciar a sua candidatura. Também déjà vu é a viragem de 180 graus três meses após ter declarado com pompa que cumpriria o mandato no Parlamento Europeu para que foi eleito. Mais? Sacrificar uma amizade a uma candidatura é outro caso déjà vu. «A minha candidatura é de ruptura» – diz o ainda eurodeputado. É capaz de ser: de uma só penada, a ruptura foi na lealdade que devia ao amigo.»
Leonor Barros: «Não vale a pena culpar D. Sebastião por se ter perdido algures a Sul, determo-nos em Belém à espera das caravelas que nos hão-de devolver esse esplendor cujas aventuras Camões eternizou ou blasfemar Afonso Henriques que, ao que se sabe, deu umas belas bordoadas na mãe. Esqueçam os poetas, esqueçam os historiadores, esqueçam os políticos. Vale pena reflectir sobre o presente, o aqui e agora, e pensar em que raio de gente nos tornámos, que raio de gente somos nós afinal.»
Paulo Gorjão: «Uma fonte do PS informa que vamos assistir ao “regresso em força do secretário-geral do PS”. Ou seja, a fonte admite implicitamente que José Sócrates anda muito longe dos seus melhores dias… A tentativa de spin, de qualquer modo, é óbvia. O momento de desaire é impossível de disfarçar. E é tão indisfarçável que José Sócrates tem de convocar de emergência os principais órgãos do PS. Em força, diria…»
Sérgio de Almeida Correia: «O polvo foi sendo alimentado, cresceu, engordou, ocupou todo o espaço livre do regime. Enquanto isso aconteceu todos acharam piada, fecharam os olhos, assobiaram para o lado. O polvo sorria e sendo grande o desperdício sempre havia alguém que aproveitava as sobras para também ir engordando. Mas ao mesmo tempo que o polvo crescia as paredes do regime tornavam-se mais frágeis, a pressão que o polvo exercia para se acomodar no espaço livre tornou-se cada vez maior. Quem o alimentou esqueceu-se de que à medida que o polvo fosse aumentando de volume menos espaço ficaria para os que o alimentavam e para os que impotentes o viam crescer, antecipando o que aí vinha. As paredes do regime não se fortaleceram à medida que o polvo crescia. Agora o desequilíbrio é evidente. O risco iminente.»
Eu: «Pedro Passos Coelho ganhou um trunfo inesperado para a sua candidatura: Alberto João Jardim, com a elegância habitual, escolheu o momento do regresso à Madeira, após participar no Conselho Nacional do PSD, para desferir ataques ao “indivíduo”, como optou por chamar ao candidato. Percebe-se bem que Jardim está pouco ou nada habituado a ser questionado no partido. Mas Passos Coelho colocou a questão no plano certo ao reiterar, na reunião dos sociais-democratas, que neste momento de crise todas as parcelas do território nacional devem solidariedade às restantes. Não é a altura – longe disso – de a Madeira, pela voz do seu eterno governante, vir reclamar mais uma chuva de milhões.»
