
Adolfo Mesquita Nunes: «Ao contrário do que aconteceu com Guterres, cujo superior estatuto se mede, pelo menos, pela atenção ao nível das águas pantanosas, Sócrates não vai salvar a pele. Com uma maioria absoluta de quatro anos e o primeiro Orçamento de Estado minoritário aprovado em conformidade, ninguém vai acreditar que José Sócrates, cúmplice dos seis anos de guterrismo, nada tem que ver com o nível de crise da economia que vivemos e vamos viver. E os tempos não estarão fáceis, não senhor. Para quem fica.»
Ana Margarida Craveiro: «Mas afinal, o que pretende o PS? Provocar umas eleições antecipadas, agora? Mostrar ao exterior que estamos completamente submersos numa crise política, e que portanto qualquer investidor com um mínimo de senso se deve pôr a milhas?»
Ana Vidal: «O homem de gabardina faz-se acompanhar da sua mais recente conquista, uma mulher de encarnado que o olha embevecida. A prima do homem da camisola cinzenta, velha conhecida da mulher espalhafatosa de branco e da mulher de castanho, acompanha o homem de casaco de botões dourados que é, segundo ela, o seu maior amigo. O homem de calças azuis é amigo de infância do homem de camisola cinzenta e a mulher espalhafatosa de branco já foi sua secretária.»
Cristina Ferreira de Almeida: «Estive uns tempos distraída, eu sei, mas hoje, quando olhei para a televisão, apanhei um choque: o Sérgio Sousa Pinto já não parece um jovem! Quantos anos se passaram nestes últimos tempos, afinal? Aumentei o som da TV, e apanhei um choque: discutem a lei das finanças regionais! Quanto tempo andámos para trás, afinal?»
Paulo Gorjão: «Convém lembrar que o PSD tem muito em breve eleições directas. Ora, todos os votos contam e os da Madeira não são excepção. O que me leva à segunda nota: a posição do PSD é perfeitamente compreensível e o seu beneficiário pessoal será José Pedro Aguiar-Branco. Se Aguiar-Branco — o tal Aguiar-Branco da “leviandade” — não estivesse tão necessitado dos votos da Madeira, a posição do PSD seria outra. Afinal, o país parece que precisa de estadistas e não de políticos.»
Eu: «O “fardo do homem branco”, que funciona como grande esponja pronta a desculpar graves erros de executivos pós-independência noutras latitudes, é ainda mais injustificável aqui. Com governos que se tivessem preocupado com o bem comum, o Haiti não disporia de largos milhares de casas construídas sem índices mínimos de segurança, que se abateram como castelos de cartas durante o devastador sismo do passado dia 12. Nenhuma verdadeira reconstrução do país pode materializar-se sem começar pelo elemento básico: um Governo que saiba realmente gerir os destinos do Haiti e da sua população duplamente mártir, castigada pela inclemência da natureza e por decénios de incompetência humana.»
