
J. M. Coutinho Ribeiro: «Há, pelo menos, uma coisa em que José Pedro Aguiar Branco e eu estamos de acordo. Tal como ele, também acho que o PSD não pode falhar na escolha do próximo líder. Ando a dizê-lo há muito, e o Alberto Gonçalves deu conta disso na sua última crónica no DN.»
João Campos: «Uma situação hipotética: fulano liga para o emprego a informar o seu chefe de que não vai poder ir trabalhar nos próximos dois dias, e apresenta uma justificação à partida válida (“emergência familiar”, por exemplo). Essa justificação é, porém, falsa, e fulano tirou o dia para ir até outra cidade a uma festa. Chegado a casa, publica fotografias dessa festa no seu perfil do Facebook. Esqueceu-se fulano de que o seu chefe – ou algum colega mais mal intencionado – está na sua lista de “amigos”. E, por isso, acaba por cair nas mãos do chefe, directa ou indirectamente, provas de que fulano mentiu para justificar a sua ausência no trabalho. E assim, fulano lixou-se.»
João Carvalho: «Para o governador da Califórnia, o problema da sobrelotação das cadeias tem solução. A ideia de Arnold Schwarzenegger é enviar os milhares de imigrantes indocumentados para o México, pô-los lá a construir prisões e pagá-las às autoridades mexicanas, que também têm sérios problemas com a escassez de penitenciárias para tanto crime. Se calhar, podíamos negociar uma coisa assim com os espanhóis. Não é certo que a ideia tenha pernas para andar, mas é bem capaz de dar um guião para um filme de acção.»
Leonor Barros: «Se pensarmos que cerca de quarenta e oito milhões de americanos gostam de observar passarinhos e se, como diz a organização Stop Bird Porn, birdwatching is bird porn, há muito voyeur taradão, perverso e depravado atrás das moitas, espalhados pelos bosques e florestas, aos ais e uis de binóculos nas mãos, numa pelo menos, enquanto o passarinho e a passarinha se passarinham. E isto é que acho fantástico, que alguém viva uma experiência erótica a observar passarinhos em acasalamento e que, por outro lado, alguém se preocupe em fundar uma organização para banir a observação de aves. God bless America.»
Luís M. Jorge: «Quer ser empreendedor? Pretende viver com o sucesso, a performance e a segunda dama de honor da Elite Model Look? Então visite o site da empresa na hora e perca um minuto a vasculhar a lista de firmas disponíveis. Aí encontrará, garanto-lhe, uma inesquecível Paelha d’Oportunidades.»
Teresa Ribeiro: «Nas esplanadas, nas paragens de autocarro, no metro, em todo o lado observo gente a falar ou a clicar no telemóvel. Numa época em que tanto se fala de solidão andamos conectados mais que nunca. É curiosa esta aparente contradição. Não fosse a tal fobia ficaria, talvez, um pouco confusa. Assim, pareceu-me lógico presumir que o medo de ficar sem telemóvel e a sua utilização massiva e compulsiva são a expressão do mesmo horror ao vazio.»
Eu: «Há um ano, vivia-se o tempo das hipérboles: o céu era o limite, a fé nas capacidades do sucessor de George W. Bush quase suplicava por milagres. Obama, o primeiro Presidente mestiço da história dos EUA, chegava à Casa Branca com o país envolvido em duas guerras sem fim à vista, com a imagem das instituições em Washington manchada por inadmissíveis violações de direitos humanos e o maior défice das contas públicas de que há memória, além da latente ameaça terrorista. O desafio era gigantesco. Não admira que no seu discurso de investidura o chefe do Executivo norte-americano tenha mencionado seis vezes Deus e uma vez as Escrituras.»
