
Adolfo Mesquita Nunes: «Ciente de que não é o candidato preferido de Sócrates, Manuel Alegre tem o seu calendário próprio, destinado, em primeiro lugar, não a fazer de si o melhor candidato mas, e de momento, a fazer de si o candidato que Sócrates não pode senão apoiar. Ou seja, José Sócrates não controla o tabuleiro em que joga e tem à sua frente um adversário imprevisível e demasiado cheio de si.»
Ana Vidal: «Sempre achei que aquele olhar tímido e aquele sorriso eternamente solícito escondiam uma quase imperceptível tensão interior, como se vivesse nela um pássaro assustado, acossado, em permanente estado de alerta. Tudo nela tinha ficado por desatar, por descobrir, por viver. Vivia as muitas vidas à sua volta e não ousava ter uma que fosse só sua. Não chegou a tê-la. Morreu um dia destes, com a mesma discrição com que atravessou as vidas alheias: apagou-se enquanto dormia, sem incomodar ninguém nem causar agitação no descanso nocturno da família.»
João Campos: «Antigamente alguns jornalistas começavam como “paquetes” – diz-me o dicionário que o termo, no contexto, traduz-se por “moço de recados” (não me parece que os significados aqui sejam “navio de comércio” ou “menstruação”). Não vejo qual é o problema, sobretudo se compararmos com o nosso tempo. Os jornalistas de amanhã são (quase sempre) estagiários não remunerados hoje. Se calhar os “paquetes” de outros tempos ainda ganhavam ao “recado” – o que me faz pensar que a profissão andou para trás, e não para a frente.»
Sérgio de Almeida Correia: «É essa a missão dos assessores políticos de um Presidente da República: impedir que as mentiras passem incólumes à história depois da poeira assentar. Quem escreve a História, com “h” maiúsculo que é como ela é vista, tem o direito de impedi-lo. É um facto indiscutível. Em Boliqueime já todos o perceberam. Daí que também já não se lembrem de nada.»

não sei a que senhora se referia Ana Vidal. Talvez alguém que a história esquece porque a história pouco refere indivíduos, não se debruça sobre as suas questões, salvo se lhe influenciem o curso e apaga quase tudo do mundo de homens que a construíram. Seja quem for, julgo entendê-la, não conseguiu ser duas sendo uma, nem houve tempo bastante para viver muitas vidas e ter uma, só sua e separada. A morte foi um natural fechar de porta. E quem nos dera que a nossa assim.
E no entanto há quem consiga o que ela não conseguiu ou não quis. As pessoas não são todas iguais.