DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Vieira do Mar: «Francamente, não me incomoda por aí além a falta de isenção jornalística de Moura Guedes;  tudo o que for um arremedo de oposição ao governo, por estes dias, parece-me bem. Saudável, pelo menos. Cada um joga com as armas que tem, e as de quem está no poder num determinado momento são sempre poderosas, por isso que venha o contraditório, sob que forma for.»

 

Eu: «Acabo de ver agora, só agora, as imagens dos dois comícios, em Portugal e Espanha. Em Coimbra, o convidado Zapatero fala em castelhano. Em Valência, o convidado Sócrates fala… em portunhol. Um sinal inequívoco do provincianismo português, que me deixa francamente envergonhado.»

0 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Eu por acaso quando vou para fora esforço-me em falar no idioma nacional do país onde me encontro (nem que seja o básico).Parece-me de uma arrogância imperial a atitude oposta. Estarmos num país que não é o nosso e pensarmos que os outros têm a obrigação de saberem, de falarem, a nossa lingua.

    Quanto a Moura Guedes não é tanto uma questão de contraditório. É sobretudo de educação, da falta dela.

  2. Discordo de Vieira do Mar. Ou se é jornalista, ou se é político. Um jornalista dá notícias e faz perguntas e investiga. Um político dá opiniões. Um político tem adversários políticos; um jornalista não tem.

  3. A mim me parece que em Visitas de Estado fica bem, sobretudo em povos vizinhos, falar a língua nacional; suponho que haja tradutores nos outros países. Mas, em circunstâncias em que a audiência seja pouco versada em idiomas estrangeiros, e se o orador souber – ou arranhar – a língua dos nativos, por que não? afinal, a finalidade de qualquer discurso é ser entendido. Portanto, tudo depende da circunstância. Também sinto orgulho quando os nosso representantes na estranja falam uma língua estrangeira e nela se fazem entender.
    Se pensarmos no francês de Mário Soares, também compreendemos que o sotaque português era uma marca e um sinal da portugalidade que o politico queria deixar vincadas

  4. “Em Coimbra, o convidado Zapatero fala em castelhano. Em Valência, o convidado Sócrates fala… em portunhol”
    Eu percebo que o espanhol do Sócrates dê um pouco de vergonha. Mas é engraçado, o que nos vivemos com vergonha por associar com a subserviencia, lá fora é vivido com vergonha… por incapacidade.
    Sim, para espanhois incluidos, quando vêm um político português à falar noutra lingua sentem vergonha porque os seus são incapazes e dá-lhes uma visão provinciana deles proprios. Há uma grande inveja por essa capacidade que têm alguns povos (paises) de ser capaz de falar várias linguas.Claro, quando é um dinamarquês, ou um holandês a falar linguas acham normal porque são paises mais civilizados. Quando é um português é vergonha pura, “como é que estes ranhosos ainda por cima falam idiomas e nós não, somos AINDA piores que os portugueses”

    1. Os espanhóis “sentem vergonha”?
      Faço ideia, coitadinhos: passam o tempo envergonhados.
      Deve ser por isso que um futebolista ou um treinador espanhóis que passem anos em Portugal continuam a falar espanhol, sem a menor exigência da nossa parte que se dirijam no nosso idioma, enquanto um treinador ou um jogador português, ao fim de um mês em Espanha, já têm de “hablar” a língua lá do sítio para não serem corridos à pedrada.
      Deve ser da “vergonha”…

      1. Como diria o Trump, “acredito, sei do que falo”. Sou espanhol e vivo no estrangeiro à 19 anos.

  5. Sócrates sabe falar portunhol. Zapatero não sabe. Portanto, Sócrates fala aos espanhóis em portunhol e os espanhóis (se calhar) entendem-no. Zapatero não pode falar aos portugueses em portunhol. Das duas uma, então: ou Sócrates não convida Zapatero, ou convida-o sabendo que ele irá falar em castelhano (ou leonês), e os portugueses ou decidem ouvir Zapatero, sabendo que ele falará em castelhano (ou leonês), ou decidem não o ouvir. Parece que deciem ouvi-lo.
    É tudo um negócio entre pessoas livres. Ninguém é obrigado a nada. Portanto, ninguém tem nada que objetar.

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