
Ana Margarida Craveiro: «Estão quase a acabar os anos 00, sem que eu tenha aprendido a referir-me a eles em voz alta. A data de vencimento da minha carta de condução aproxima-se, e já não parece um futuro longínquo. A invenção da televisão de qualidade já leva dez anos (Sopranos, 24, Sete Palmos de Terra, House, por aí fora), e o James Cameron voltou a realizar filmes. Dez anos. Pois.»
Leonor Barros: «Deve ser Natal. Não são só os Pais-Natal enforcados nas varandas e os meninos Jesus em cascata nas janelas. Não são os bolos-rei, azevias e sonhos que invadiram as pastelarias e se espraiam em tabuleiros oferecidos. Não são só as lojas permanentemente cheias, as filas para pagar, embrulhar presentes, pedir talões e cheques-brinde. Não são só as notícias dos sem-abrigo de quem ninguém se lembra nos restantes dias do ano, as acções de solidariedade mais profícuas que coelhos em Primavera, comos somos solidários e caridosos. Não são só as canções de Natal ad nauseam em tudo o que é canto.»
Teresa Ribeiro: «Se alguma coisa se desconstrói a partir do discurso deste homem são as ideias que andam a angustiar as últimas gerações de pais. Gerações que perderam a autoridade natural dos progenitores à moda antiga e que agora andam aos papéis, sem saber como educar os filhos e ainda por cima obcecadas com a ideia de que o sucesso é uma condição de sobrevivência.»
Eu: «A obra teórica de Lenine já prenunciava o Terror Vermelho instaurado na Rússia em 1918 após a supressão dos liberais, monárquicos, sociais-democratas, socialistas revolucionários e todos quantos podiam travar a insaciável sede de poder do Partido Comunista. No seu livro Que Fazer? (1902) sublinhou a necessidade de construção de uma “vanguarda revolucionária” para o derrube da “sociedade burguesa”. Em O Estado e a Revolução (1917) antecipava a tomada violenta do poder para a instauração da ditadura revolucionária, consumada meses depois, com o assalto ao Palácio de Inverno, que afinal “foi um putsch militar e não uma insurreição das massas”.»
