
João Carvalho: «Miguel de Vasconcelos – secretário de Estado da regente de Portugal, Margarida de Saboia, duquesa de Mântua – é alertado pelo tumulto e decide ir à varanda do Paço para ver o que se passa. Levanta-se em passo rápido, tira um agasalho do armário, abre a portada da varanda e tropeça na soleira. A queda é inevitável: desamparado, não consegue agarrar-se ao balcão, precipita-se no vazio e estatela-se lá em baixo no terreiro, com o corpo em posição estranha e inerte.»
Paulo Gorjão: «O PCP parece que está muito chateado porque o PS não o consultou na recente escolha para o Tribunal Constitucional. Ou seja, não é propriamente a qualidade da escolha em abstracto que preocupa o PCP, mas sim a sua marginalização no processo. Não sei se é verdade que o PS ignorou uma prática seguida desde a transição para a democracia, mas em todo o caso não faz mais do que reconhecer a crescente irrelevância eleitoral do PCP. Ultrapassado pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições legislativas, cada vez mais periférico no sistema político português, o PCP resiste à mudança, mas exige a manutenção dos privilégios com base numa representatividade passada…»
Teresa Ribeiro: «Por instinto conduziu-o pelo braço. Olhos em frente, a furar médicos e enfermeiros naquele vaivém por entre aflitos, o que ela queria era segurá-lo pelo braço, porque a mão, aquela mão dele, estava ao contrário. Se ele imaginasse como lhe era insuportável segurá-lo pela mão, teria percebido porque teve ela de ser tão desembaraçada em tudo, para poder negar àqueles espectros de bata branca o espectáculo banal do seu pavor.»
