DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Entre a posição do Conselho Deontológico [do Sindicato dos Jornalistas] e quem o visa, lembrei-me de ter sabido um dia que uma das minhas avós namorava numa janela do rés-do-chão, com o pretendente especado na rua à altura do parapeito. Nas redondezas, dizia-se que ela era «namorada de»: não comentavam a sua vida privada; apenas concluíam o que era publicamente percebido. Só seria chato se ela mostrasse “publicamente”, por exemplo, que também namorava outro. E haveria “conflito de interesses” se ela recomendasse a uma outra, por exemplo, o seu recomendável namorado.»

 

Paulo Gorjão: «A direcção do PSD neste momento não existe, como era expectável, e a CPN [Comissão Política Nacional] vai pelo mesmo caminho. É o que acontece quando os interesses de um grupo particular se impõem em detrimento dos interesses do partido.»

 

Teresa Ribeiro: «Ontem gostei de ver a sala Luís de Pina da Cinemateca encher-se em homenagem a Abel Escoto, um homem cuja carreira se confunde com a história do próprio cinema português, e de testemunhar o interesse que os filmes Abel Escoto – Fragmentos de uma Vida, de Miguel Cardoso, e Abel Escoto e as Fitas do Seu Tempo, de Tony Costa, suscitaram na plateia. Mas mais que tudo, o que me deu prazer foi poder aplaudir o homenageado olhos nos olhos e verificar que naquela sala não houve desperdício, porque a vida, ao contrário do que é habitual, não se baldou ao evento e da primeira fila bateu-lhe palmas de pé.»

 

Eu: «A notícia já era esperada, mas nem por isso deixou de me atingir mais fundo. Porque, como dizia Jorge de Sena, nenhuma morte é natural. Fomos feitos para a vida, não para a morte. E se há pessoa que conheci sempre com imenso amor à vida foi o Jorge Ferreira, que hoje morreu, com apenas 48 anos. Idade absurda para morrer, como qualquer outra idade em que existem ainda tantos projectos por concretizar, tantos sonhos por alcançar.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. como dizia Jorge de Sena, nenhuma morte é natural. Fomos feitos para a vida, não para a morte

    Erro: a morte é a coisa mais natural da vida.

    O ser humano é, aliás, uma das poucas espécies que tende a morrer muito depois da idade de procriar. A maior parte das espécies reproduz-se e morre pouco depois. Naturalmente.

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