DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Um tipo solitário tende a sentir-se isolado. E um tipo isolado ainda acaba por ser ministro – o que é coisa pouco recomendável, nos dias que correm, como se sabe.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «Ando com a sensação de que a única coisa estável, duradoura e verdadeiramente importante que estes mais de 30 anos de democracia geraram foi uma associação criminosa, imensa e ramificada, que atravessa os principais partidos políticos e que assenta no Estado em conluio com os privados. Passa pelos gabinetes dos governos, pelos demais órgãos de soberania, pelos órgãos desconcentrados da administração pública, pelas empresas públicas, pelas autarquias locais.»

 

Leonor Barros: «A Geração Idiota pavoneia-se livro afora. Abrange indivíduos dos 15 aos 45 anos, o que não me deixou nada tranquila, e que se manifesta nas mais diversas áreas da vida: pessoal, profissional, no amor, no lazer, na educação, na relação com o dinheiro. Abundam os comportamentos desconexos, sem maneiras e imbecis.»

 

Luís M. Jorge: «A blogosfera, que começou por influenciar os jornais e os partidos políticos, é agora uma extensão dos partidos políticos e dos jornais. As centrais da posta dedicam cada vez mais recursos a abafar o pensamento crítico numa cacofonia de newspeak.»

 

Paulo Gorjão: «Às vezes confesso que ainda fico espantado com a duplicidade de critérios. Ainda me lembro do tumulto que houve recentemente com os emails do Público que foram parar ao DN. Neste caso houve quem estivesse preocupado em exclusivo com a forma ignorando por completo a relevância política ou o interesse público. Alguns são os mesmos que agora ignoram a forma — escutas sem valor jurídico, divulgação em clara violação do segredo de justiça — e acentuam a relevância política ou o interesse público das escutas a Armando Vara em que é apanhado José Sócrates. Moral da história? Os factos têm sempre pelo menos duas versões…»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Está visto que já não se pode “oferecer” aos amigos as codornizes há muito prometidas. Um tipo é logo fotografado com o saco das ditas e depois, enquanto o diabo esfrega um olho, vem tudo escarrapachado nos jornais. Triste país.»

 

Teresa Ribeiro: «Ao transpor a entrada daquele bar, sentiu-se despida. Já não tenho idade para isto, já não tenho idade para isto, repetia, metodicamente, obedecendo aos seus naturais impulsos autodestrutivos, tendência que conservava desde a adolescência e não tinha esperança de corrigir. Nada de contacto visual significativo com os poucos homens que não tinham companhia.»

 

Eu: «À esquerda, as presidenciais estão a servir para mobilizar os socialistas sem grande simpatia por Manuel Alegre, com destaque para os soaristas, que se apressam a lançar um nome alternativo: Jaime Gama. Precisamente numa altura em que o presidente da Assembleia da República – segunda figura na hierarquia do Estado, em termos protocolares – ganha protagonismo público com a sua recente iniciativa de impedir os deputados de poder fazer desdobramentos de bilhetes de avião e acumular créditos de milhas, como até agora acontecia – iniciativa que justificou aplauso unânime.»

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