DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Coutinho Ribeiro: «Há uns anos, num exercício de pura retórica, alguém perguntava-me se eu tinha a ambição de ser ministro. Respondi, com o ar mais sério do mundo, que a minha grande ambição era ser ex-ministro. O meu interlocutor ficou com ar mais ou menos aparvalhado com a resposta, indeciso entre o ter percebido ou não. Agora deve ter percebido. O problema é que, às tantas, o homem, ao perceber, ainda fica a pensar que eu sou desonesto.»

 

João Carvalho: «The Ballad of John and Yoko (uma edição da Apple de 1969) acaba por ser uma ironia, quando se observa o destino que estava reservado aos ‘Fab Four’: há 40 anos, a nova relação de John Lennon com Yoko Ono (de que resultara a ruptura entre John e Cynthia Lennon) começou a minar o relacionamento entre os quatro.»

 

Paulo Gorjão: «Não conheço nenhum líder partidário do PSD que tenha alcançado o cargo sem ambição, vontade e determinação. Em suma, sem fazer pela vidinha. Marcelo Rebelo de Sousa já se percebeu que não preenche estes requisitos. É legítimo que não queira passar pelas maçadas que a disputa pela liderança envolve, mas é também um indicador do seu acomodamento. Ora, será que em nome da unidade nacional Marcelo Rebelo de Sousa também pensa exigir ao PS que não apresente um candidato nas próximas eleições legislativas?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A ética do serviço público é para algumas pessoas uma coisa muito difícil de entender. E quando atrás dela vem um prato de lentilhas, ainda mais duro se torna. Compreendo que não seja fácil mudar o que levou mais de quarenta anos a construir. Uma cultura de subserviência, de hábitos paroquiais, de “respeitinho”, como dizia o poeta, leva muito tempo a ser corrigida. A República tinha a obrigação, em mais de trinta anos de democracia, de já ter acabado com estes atavismos.»

 

Eu: «Tiago Mota Saraiva limita-se a chamar “erros” aos crimes do estalinismo. Nada mais que isto: erros. Um termo que podemos usar ao referimo-nos a uma simples operação aritmética. Espantoso: mais de meio século após estes crimes terem sido denunciados pelo próprio secretário-geral do PCUS, Nikita Khrutchov, numa sessão à porta fechada do XX congresso do partido soviético, ainda há quem ande à cata do eufemismo mais à mão, numa desesperada tentativa de apagar as evidências da História.»

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