DELITO há dez anos


Pedro Correia,

39b608e95118d5d9c8efc36c2a387b46--hourglass-top.jp

 

Adolfo Mesquita Nunes: «É esta a ironia que rodeia Saramago e as suas constantes afirmações da inexistência de Deus, contribuindo afinal para a afirmação da Sua existência. E se foi com estas ideias que comprei a edição que tinha na mão, foi já com Sophia que regressei ao hotel: “A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.”»

 

Ana Margarida Craveiro: «Tenho para mim que a velhice deve ser vivida dignamente. Numa revista deste fim-de-semana, acho que era João Lobo Antunes que dizia esperar que a família o escondesse e protegesse em casa, se o pior sobreviesse. Só tenho pena que as famílias de Soares e Saramago não tenham tido este bom senso. Sempre se poupavam duas vidas preenchidas (bem ou mal) à tristeza de uma velhice pública de embaraços.»

 

Ana Vidal: «Apesar de milénios de formatação civilizacional, existe em nós um primitivismo atávico e inultrapassável, ainda que amordaçado e obrigado a hibernar à força. E que convém não ignorá-lo, porque é perigoso e está apenas latente, não morto. Mal de quem não entende isso, e não está atento aos sinais.»

 

J. M. Coutinho Ribeiro: «Se no caso de Matosinhos talvez não houvesse nada a fazer, no caso de Valongo a história é outra. As estruturas concelhia e distrital do PS denotaram manifesta inabilidade ou, então, foram determinadas por motivos que nos escapam. E que têm a ver com a lógica da “mercearia” partidária – essa coisa pérfida que inquina a democracia.»

 

João Carvalho: «Igreja, para Saramago, é golpe. Não o golpe que ele diz, mas um golpe publicitário. Dá-lhe jeito baralhar as coisas. Contudo, sai-se mal, porque era suposto ele mostrar-se mais esclarecido nos conhecimentos, mais claro nas ideias. E esta é a razão pela qual as suas maquinações são de tão mau gosto, além de doentias.»

 

Luís M. Jorge: «Há assuntos que chegam, assuntos que se vão. Pessoas caladas, à espera que os outros se aborreçam. Mas sobra quase sempre um pequeno grupo de impressionáveis, para quem a corrupção não é um tema da moda, a honra não depende da moda, a culpa não varia com a moda e o silêncio não é uma opção — ainda que isso custe (e como deve custar) a alguns enfastiados.»

 

Paulo Gorjão: «Pedro Passos Coelho já assumiu que será candidato nas próximas eleições directas. Não tenho a mais pequena dúvida que ele reúne as condições para federar as diferentes sensibilidades e gerar esse tal consenso.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «As eleições autárquicas foram há pouco mais de uma semana. Alguns dos novos autarcas ainda nem sequer tomaram posse. Ou estão a tomar posse neste preciso momento, como é o caso do presidente da Câmara Municipal de Faro. Mas antes mesmo de tomarem posse já começaram a asneirar. E não fosse alguém pensar que era uma cabala, são todos do PSD.»

 

Eu: «A Bíblia influenciou toda a arte ocidental, toda a literatura ocidental. Lemos autores tão diversos como Hemingway, Melville, Faulkner e Thomas Mann – e lá está, bem patente na obra deles, a marca bíblica. Vemos filmes de cineastas tão diferentes como Bergman, Ford, Fellini ou Dreyer – e lá deparamos, bem nítido, com o imaginário bíblico.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *