
João Carvalho: «Num acto talvez de solidariedade pelo horário duro da lavoura, que nem se permite descansar ao domingo, fico a saber pela televisão que Paulo Portas foi o primeiro líder partidário a votar. Mas madrugar é para quem está habituado, quando não tem alguns custos ao nível das ideias. Certamente por isso, ouço-o falar aos repórteres sobre a importância das “autarquias locais” blá-blá-blá-blá, vistas as vantagens das “autarquias locais” blá-blá-blá-blá. Eu também gosto muito das autarquias locais. Já não posso dizer o mesmo das autarquias nacionais. E nem me falem das autarquias multinacionais.»
Leonor Barros: «Um homem foi hoje assassinado quando se dirigia à mesa de voto em Ermelo, Vila Real. Segundo a notícia, o candidato à Junta de Freguesia pelo PS assassinou com um tiro de caçadeira o marido da candidata pelo PSD ao mesmo órgão autárquico. Nesta altura era esperado que os diferendos não se resolvessem à bala e que se tivesse percorrido um longo caminho que nos distanciasse dos instintos mais primários. Que raio de gente é esta?»
Teresa Ribeiro: «Quando passo pela rua dos meus pais, onde vivi mais de vinte anos, não a vejo. É normal. Os olhos, à falta de distracção, seguem apoiando-se vagamente em esquinas e beirais, os mesmos de sempre, com uma indiferença cega.»
Vieira do Mar: «Ainda não li nenhuma reacção blogoesférica ao Nobel de Obama, parece que há muita gente contra. Eu, que se fosse norte-americana provavelmente nem teria votado nele, achei bem. Independentemente daquilo que ainda não fez, porque não pode, porque não teve tempo ou porque mudou entretanto de ideias, o homem criou uma vontade unânime de paz, uma boa onda universal, uma consciência colectiva momentaneamente dirigida para o bem. E isso é mais do que alguns dos que já ganharam este prémio se podem gabar.»
Eu: «Regresso a Portugal a tempo de votar, na própria manhã das autárquicas, após nove dias sem saber nada da vida política portuguesa. Mal me ponho a par do que foi acontecendo, verifico que permanece tudo na mesma. Sócrates prepara governo a ensaiar a primeira chantagem formal à oposição, a propósito do Orçamento de Estado para 2010. Nenhuma força da oposição se arrisca a propor uma moção de rejeição do programa do novo Executivo no Parlamento. Os inquilinos de Belém e de São Bento, enterrada a “cooperação estratégica”, continuam de costas voltadas. Marcelo Rebelo de Sousa agita-se.»

Vieira do Mar: «Ainda não li nenhuma reacção blogoesférica ao Nobel de Obama, parece que há muita gente contra. Eu, que se fosse norte-americana provavelmente nem teria votado nele, achei bem. Independentemente daquilo que ainda não fez, porque não pode, porque não teve tempo ou porque mudou entretanto de ideias, o homem criou uma vontade unânime de paz, uma boa onda universal, uma consciência colectiva momentaneamente dirigida para o bem. E isso é mais do que alguns dos que já ganharam este prémio se podem gabar.”
E ainda nem sequer se sonhava com o que viria depois…