
João André: «A votação para a Bola de Ouro é feita pelos capitães e treinadores das selecções nacionais e por um painel de jornalistas de todo o mundo. Como não há orientações de qualquer espécie sobre critérios de avaliação, não é possível adivinhar por que razão o capitão da selecção de Trinidade e Tobago votará em Messi, o seleccionador das Ilhas Cook em Ronaldo ou o jornalista da Voetbal International em Yaya Touré (tudo escolhido ao acaso). Pessoalmente gosto disso. Os critérios não têm que ser específicos. cada um gosta de futebol pelas suas próprias razões e não precisa de seguir as de outros. Só que sem critérios gerais, é difícil definir o que é isso de melhor.»
Luís Menezes Leitão: «Vencemos. Somos os maiores. Apesar dos golpes baixos dos suecos, que nem sequer hesitaram em recorrer à magia negra, sob o alto patrocínio da água da mesma cor vendida pela Pepsi, Cristiano Ronaldo demonstrou que é um super-herói. Graças a ele Portugal redescobriu o caminho para as terras de Vera Cruz, imitando o feito de Cabral há mais de quinhentos anos. Perante a gloriosa exibição de ontem, não há dúvidas que no Mundial arrasaremos todos os nossos opositores. Quanto à crise financeira, podemos estar seguros que, com as nossas brilhantes capacidades futebolísticas, irá seguramente ser ultrapassada. Quem é que depois da exibição de ontem pode duvidar que Portugal irá ter um sucesso glorioso no regresso aos mercados? Nunca jamais em tempo algum seremos sujeitos a um programa cautelar, quanto mais a um segundo resgate.»
Patrícia Reis: «Não perceber de futebol é quase tão mau quanto não beber álcool, ou seja, ninguém entende. No caso da bebida podemos, em desespero, alegar que somos dos alcóolicos anónimos, mesmo não sendo o caso. Com o futebol, a música é outra. Ora, ao fim destes anos arranjei alguns truques. Um deles, que funciona muito bem, é dizer que sou do Belenenses. Ninguém se aborrece comigo, é como ser alguém simpático e ponto final, não há discussão. Numa conversa com uma jornalista parlamentar, adepta do Benfica, disse – de forma muito cândida, posso garantir – que não sabia (agora já sei!) quem era o Rui Costa. Ela respondeu de imediato e em tom severo: Quem não sabe quem é o Rui Costa, não é português.»
Teresa Ribeiro: «Para dar um ar de eficiência a Segurança Social criou linhas de atendimento directo, mas que não passam de call centers. As pessoas que atendem não são funcionárias da S.S. mas gente que recebeu formação nos moldes em que a tropa dos call centers costuma receber, ficando habilitada a responder a questões elementares e a distribuir os interlocutores mais complicados pelos vários balcões de atendimento mediante a marcação de entrevistas. As chamadas são pagas e invariavelmente retêm os utentes durante vários minutos, até que um gravador os informa que “neste momento não é possível atender a sua chamada, por favor ligue mais tarde”. Depois de muita insistência consegui que me atendessem, mas remeteram-me para outra linha, a 707200217.»
Eu: «Muito à portuguesa, fala-se quase sempre do “génio” de Cristiano Ronaldo. Mas quase nunca se fala da sua exemplar entrega ao treino. E no entanto essa é a principal razão do seu sucesso. Porque podemos detectar vestígios de “génio” num Ricardo Quaresma, por exemplo. Mas sem muito treino diário, sem muito esforço, sem dedicação total a um objectivo, nenhum “génio” chega longe. Nem o melhor do mundo, como Cristiano Ronaldo é.»
