DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Helena Sacadura Cabral: «Há dias, no supermercado, uma senhora de muita idade agarrou-me no braço e disse:

– peça-lhes que pensem nas nossas porções

– que porções? disse eu

– de tudo. Os velhos sozinhos e com dificuldades levam comida para casa que acabam por comer já rançosa. Veja a manteiga, a margarina, a banha, o azeite, o óleo, feijão, farinha, açúcar, são tudo embalagens muito grandes para uma pessoa só. Quando as acabamos até já fazem mal.

Na altura resolvi-lhe o problema à minha maneira e dividi as porções dela ao meio. Ficou feliz. Mas, depois disto, tudo irá continuar na mesma.»

9 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. Um problema grave e não é só em Portugal.
    Aqui onde vivo é igual com uma ligeira diferença.
    Chamamos o empregado e ele leva seja o que pretendemos
    para os « bastidores « e traz a quantidade desejada já pesada ,
    embalada e com o respectivo preço.
    Um luxo!

  2. Disparate. Esses produtos todos (ou, vá lá, quase todos) têm prazos de conservação muito longos. Não se estragam durante muitos meses.
    A senhora idosa tem bichinhos na cabeça, acredita que comer feijão de uma embalagem que foi aberta há seis meses faz mal. Mas não faz. E a prova de que não faz, é que a senhora come mas ainda está vivinha da silva!

    1. Cada pessoa sabe o que precisa e não tem
      que ser obrigada a comprar nas quantidades
      que « eles « decidem.
      Eu também vivo sozinha e é um exagero a
      comida que por vezes vai para ao contentor por
      essa mesmo razão.
      É um direito sermos livres de comprar unicamente o que necessitamos.
      Basta de desperdiçar alimentos e de gastar dinheiro estupidamente.
      Hum Sr.Balio ?

      1. Dou dois contra um em como a imensa maioria dos alimentos que a kika deita para lixo estão perfeitamente comestíveis. Só na cabeça da kika é que eles estão defeituosos e estragados.
        Basta ver a forma como muitos portugueses apalpam os legumes e frutas onde eles se vendem avulso – virando-os e revirando-os, apalpando-os – para se perceber que os portugueses são extremamente esquisitos com os produtos alimentares, tem uma mania de perfeição inteiramente descabida.

        1. O Sr. Balio tem sempre razão e quem sou eu
          para o contrariar, além disso vou ter que sair
          para ir ao funeral de uma folha morta.

    2. Não me refiro especialmente aos produtos acima referidos.
      As batatas por exemplo são aos sacos grandes e rapidamente
      ficam greladas ficando impróprias para o consumo.
      Frutas e legumes por exemplo, especialmente em casas aquecidas
      não se conservam facilmente e sim, existe um enorme desperdício
      que me deixa terrivelmente enfurecida.

      1. As batatas guardadas num local escuro (tipicamente uma gaveta) não grelam durante um mês ou mais. E mesmo greladas são perfeitamente comestíveis. Tira-se o grelo, o resto está em perfeito estado.
        De qualquer forma, há múltiplas mercearias (de bengalis, de nepaleses, de chineses, e até – pasme-se – de portugueses, onde as batatas se compram a peso, não embaladas: pode-se comprar uma batata, duas, uma dúzia, sem qualquer problema. As batatas são um não-problema: só as compra embaladas em grandes quantidades quem quer.

      2. As frutas e legumes conservam-se no frigorífico, quer a casa esteja aquecida quer não. E de qualquer forma as frutas e legumes não são um problema, pois em qualquer sítio podem ser compradas a peso, à unidade e em pequenas quantidades.

  3. A minha mãe tinha na sua despensa umas caixas de lata grandes nas quais guardava o arroz, o feijão, a farinha, o açúcar. Nesse tempo, muitas pessoas compravam esses produtos nas aldeias, em quantidades grandes, aquando da colheita, e guardavam-nos durante um ano ou mais em casa em caixas dessas.
    Os produtos não se estragavam, exceto quando chegava o verão seguinte, quando o arroz e o feijão ganhavam gorgulho.

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