
Helena Sacadura Cabral: «Há dias, no supermercado, uma senhora de muita idade agarrou-me no braço e disse:
– peça-lhes que pensem nas nossas porções
– que porções? disse eu
– de tudo. Os velhos sozinhos e com dificuldades levam comida para casa que acabam por comer já rançosa. Veja a manteiga, a margarina, a banha, o azeite, o óleo, feijão, farinha, açúcar, são tudo embalagens muito grandes para uma pessoa só. Quando as acabamos até já fazem mal.
Na altura resolvi-lhe o problema à minha maneira e dividi as porções dela ao meio. Ficou feliz. Mas, depois disto, tudo irá continuar na mesma.»

Um problema grave e não é só em Portugal.
Aqui onde vivo é igual com uma ligeira diferença.
Chamamos o empregado e ele leva seja o que pretendemos
para os « bastidores « e traz a quantidade desejada já pesada ,
embalada e com o respectivo preço.
Um luxo!
Disparate. Esses produtos todos (ou, vá lá, quase todos) têm prazos de conservação muito longos. Não se estragam durante muitos meses.
A senhora idosa tem bichinhos na cabeça, acredita que comer feijão de uma embalagem que foi aberta há seis meses faz mal. Mas não faz. E a prova de que não faz, é que a senhora come mas ainda está vivinha da silva!
Cada pessoa sabe o que precisa e não tem
que ser obrigada a comprar nas quantidades
que « eles « decidem.
Eu também vivo sozinha e é um exagero a
comida que por vezes vai para ao contentor por
essa mesmo razão.
É um direito sermos livres de comprar unicamente o que necessitamos.
Basta de desperdiçar alimentos e de gastar dinheiro estupidamente.
Hum Sr.Balio ?
Dou dois contra um em como a imensa maioria dos alimentos que a kika deita para lixo estão perfeitamente comestíveis. Só na cabeça da kika é que eles estão defeituosos e estragados.
Basta ver a forma como muitos portugueses apalpam os legumes e frutas onde eles se vendem avulso – virando-os e revirando-os, apalpando-os – para se perceber que os portugueses são extremamente esquisitos com os produtos alimentares, tem uma mania de perfeição inteiramente descabida.
O Sr. Balio tem sempre razão e quem sou eu
para o contrariar, além disso vou ter que sair
para ir ao funeral de uma folha morta.
Não me refiro especialmente aos produtos acima referidos.
As batatas por exemplo são aos sacos grandes e rapidamente
ficam greladas ficando impróprias para o consumo.
Frutas e legumes por exemplo, especialmente em casas aquecidas
não se conservam facilmente e sim, existe um enorme desperdício
que me deixa terrivelmente enfurecida.
As batatas guardadas num local escuro (tipicamente uma gaveta) não grelam durante um mês ou mais. E mesmo greladas são perfeitamente comestíveis. Tira-se o grelo, o resto está em perfeito estado.
De qualquer forma, há múltiplas mercearias (de bengalis, de nepaleses, de chineses, e até – pasme-se – de portugueses, onde as batatas se compram a peso, não embaladas: pode-se comprar uma batata, duas, uma dúzia, sem qualquer problema. As batatas são um não-problema: só as compra embaladas em grandes quantidades quem quer.
As frutas e legumes conservam-se no frigorífico, quer a casa esteja aquecida quer não. E de qualquer forma as frutas e legumes não são um problema, pois em qualquer sítio podem ser compradas a peso, à unidade e em pequenas quantidades.
A minha mãe tinha na sua despensa umas caixas de lata grandes nas quais guardava o arroz, o feijão, a farinha, o açúcar. Nesse tempo, muitas pessoas compravam esses produtos nas aldeias, em quantidades grandes, aquando da colheita, e guardavam-nos durante um ano ou mais em casa em caixas dessas.
Os produtos não se estragavam, exceto quando chegava o verão seguinte, quando o arroz e o feijão ganhavam gorgulho.