
Ana Lima: «Nesta fotografia está também o pequeno livro que me tem acompanhado nos últimos dias. As suas folhas amareladas não recomendam sequer a sua permanência junto ao local onde se dorme. Comprei-o (numa daquelas vendas de livros nas estações de metro) por três razões. A primeira prende-se com a minha memória. O único livro que li deste autor (não sei qual, confesso), era eu adolescente, foi na mesma altura em que li “As Vinhas da Ira” do seu contemporâneo Steinbeck. Mal vi este “Um rapaz da georgia” apeteceu-me recordar aquela escrita e aquelas personagens tão marcadas pela dura vida no sul dos EUA, na primeira metade do séc. XX.»
Ana Vidal: «O actor RICARDO DARIN, entrevistado por Alejandro Fantino para o programa “Mano a Mano”. Ainda há gente com espinha.»
Eu: «Nada há tão volúvel como as modas literárias. Reparem no neo-realismo: já esteve completamente na moda, erigido em cânone; já esteve totalmente fora de moda, alvo de dichotes que o punham a ridículo. Basta uma geração suceder a outra para tudo parecer mudar. Um dos ingredientes fundamentais do neo-realismo era a luta de classes, quase sempre ambientada em meio rural para suavizar os focos da censura salazarista, menos rigorosa em relação aos trabalhadores de arado e enxada do que ao cenário fabril, propício como nenhum outro à difusão da mensagem comunista.»
