DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «Não gosto de muita confusão à volta dos meus livros: há um candeeiro, de luz abundante (chega-me a miopia que tenho), o meu Tivoli, a obrigatória embalagem de Aerius e um biberão vazio, de alguém que gosta de camas quentinhas nas primeiras horas da manhã. E assim me apercebo de como a minha vida cabe bem num post sobre livros de cabeceira.»

 

André Couto: «Quando, nos últimos tempos, alguém apupa uma intervenção de um membro do Governo, as galerias são imediatamente evacuadas, escorraçando-se o Povo da sua Casa, como se de cães se tratassem. Já hoje, quando um conjunto de polícias aplaudiram o ministro da Administração Interna, nada aconteceu. Aplaudir é tranquilo, é um balão de oxigénio para os carbonizados pulmões do Governo. Já apupar, ou grandolar, é chato, abre telejornais, e desgasta.»

 

Fernando Sousa: «Parece que Allende poderá não se ter suicidado… A dúvida volta a agitar o Chile. A tese de que o antigo Presidente preferiu pôr termo à vida do que entregar-se foi defendida durante anos por colaboradores próximos e a família. Em 2011, para acabar com zunzuns de que não fora nada assim, que o tinham era morto, um juiz ordenou que o exumassem. Terminada a peritagem, os médicos forenses puseram-se de acordo: matara-se mesmo, com um disparo da AK-47, que Fidel Castro lhe oferecera. E o cadáver voltou a ser sepultado, com a sua verdade.»

 

José António Abreu: «Com receio de Costa, o preferido dos socratistas, Seguro endureceu posições. Agora vê Costa criticá-lo e posicionar-se como o moderado sensato. Restaria conhecer a opinião dos socratistas sobre a vontade de temperança de Costa se os socratistas não fossem acima de tudo pragmáticos: atingir o poder com um dos deles à frente do partido é tudo o que lhes interessa. Ligeiramente chato para eles seria Costa estar a preparar uma candidatura ao cargo de Presidente da República e não ao de primeiro-ministro.» 

 

Sérgio de Almeida Correia: «Estou de volta, João. Vê lá como as coisas são. Tão livre como quando te telefonei. E com os amigos de sempre. Penso que ficarias satisfeito por sabê-lo. A vida trocou-nos as voltas, a ti e a mim, mas não as amizades. E a liberdade está onde sempre esteve: em nós. Vê lá como as coisas são. E sabes que mais? Só os tontos não voltam aos locais onde foram felizes, ao convívio com os seus. Só os tontos não recuperam a alegria. O Pavese era um tonto.»

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