DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Por este andar vamos deixar de poder ver-nos ao vivo, porque será decepção atrás de decepção. A pergunta que se impõe é esta: o que queremos mesmo é uma vida virtual? Se é isso, siga o baile do faz-de-conta.»

 

Helena Sacadura Cabral: «Hoje numa entrevista perguntaram-me de que é que eu mais gostava, na vida. A resposta saíu célere:”gosto de gostar”. O entrevistador ficou bloqueado e demorou algum tempo para ainda perguntar, incrédulo, “gosta, como?”. Aí sorri e respondi “de todas as formas pelas quais se gosta”. Felizmente para ele – e talvez para mim -, foi já no fim da nossa conversa… Será assim tão difícil de compreender que um ser humano considere “gostar” como a essência da sua vida?!»

 

José Gomes André: «Três paixões: clássicos russos, biografias e história alternativa. Dostoievski é provavelmente o maior escritor de todos os tempos. “Os Irmãos Karamazov” e “Crime e Castigo” são livros que releio com frequência. Nunca encontrei melhor descrição do abismo que habita a natureza humana. Lutero é uma figura decisiva da história europeia, mas do qual na verdade pouco se sabe. Esta biografia descreve-o como um fanático com pretensões políticas e sugere que, sem figuras alternativas (como Calvino), o protestantismo não teria certamente resgatado a Europa do seu sono dogmático. Harry Turtledove é um mestre da ficção científica e este livro não escapa à regra: e se o Sul tivesse acesso a milhares de Ak-47 e derrotasse o Norte em 1864? Decorrendo em torno da notável figura de Robert E. Lee (de longe o maior general da Guerra Civil, um grande cavalheiro que se juntou ao Sul por amor à sua Virgínia natal), imagina uma América dividida e a continuação do grande debate sobre a escravatura no Novo Mundo.»

 

Luís Menezes Leitão: «Se Portugal fosse um país normal, assim como quase toda a Europa em que nos inserimos, hoje seria um dia feriado, em que milhões de pessoas aproveitariam para, em recolhimento pessoal ou em visita aos cemitérios, recordar a memória dos seus ente queridos que faleceram, antecipando o Dia de Finados, que se comemora amanhã. Haveria romarias em inúmeras cidades em homenagem aos Santos da sua devoção. Mas Portugal, com este Governo, deixou de ser um país normal. Por isso hoje é o dia em que se vai aprovar o Orçamento do Estado e em que, para protestar contra o mesmo, há uma manifestação em frente ao Parlamento. Querendo destruir os símbolos nacionais para agradar à troika, o Governo acabou por ser altamente simbólico. O Orçamento para 2014 é o seu dobre a finados. Resta saber se apenas do Governo ou também do País.»

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