
André Couto: «Certamente que a teoria já foi explicada e assinada por alguém de renome, mas há muito digo que o problema das nossas frustrações em adultos reside nas histórias com que nos embalam em crianças. Aquela lengalenga do “e viveram felizes para sempre”/”fim”, com base na parte encantadora da história e deixando por explicar como é que fizeram quando começaram a acordar gordos, sem base e com os olhos por limpar, quando passaram a ter de defecar com uma porta de madeira de permeio para a pessoa amada, como fizeram quando ficou evidente que ambos eram desprovidos de talento para a cozinha e as mães já não estão presentes, é algo assassino que não estamos preparados para gerir. “E agora?! Raios! A Cinderela limpava a casa e cozinhava como ninguém, e o Príncipe era cortês e sempre lindo de morrer…”»
Fernando Sousa: «Corto [Maltese]: “… tem de ser na primeira sexta-feira da lua. Compras uma fita azul de comprimento médio em nome da rapariga que amas… Dás um nó dizendo versículo 5 da surata 30, dita Dos Venezianos ou, se preferires, Dos Bizantinos… Mas não o apertes antes de recitares todo o versículo… Depois, amarras a fita no teu braço esquerdo, e, com esse braço, acaricias a rapariga que amas e… tudo correrá bem.” Cush [da tribo dos Beni Amer]: “E se ela não quiser que eu a acaricie?” Corto: “Então, arranja outra…” (O golpe de misericórdia, in As Etiópicas). Precisava de Corto Maltese depois de terminar “Meio Sol Amarelo” (Chimamanda Adichie) e antes de pegar na piada infinita de David Foster. Não levem a mal: Corto é culto. Voltamos sempre a ele.»
Helena Sacadura Cabral: «O Correio da Manhã noticia que dez pensionistas recebem prestações de sobrevivência que custam aos cofres da Segurança Social 893 mil euros por ano. A ser verdade, e feita uma pequena conta de dividir, tal significaria que o/a sobrevivente casara e enviuvara de um verdadeiro “tubarão” salarial. Com efeito a viuvez permite que cada um destes pensionistas receba em média 89.300 euros anuais! Há casos em que a viuvez parece compensar…»
