
Ana Vidal: «Estou farta das pinças lexicais com que os políticos falam dos velhos (pobres) deste país, e tudo se torna ainda mais revoltante em época de campanha eleitoral. Pura hipocrisia: são tratados abaixo de cão, sem qualquer consideração ou respeito na prática, puxam-lhes o tapete no fim da vida com condições de sobrevivência desumanas e humilhantes. Mas dizer “velhos” é completamente proibido, isso é que nunca, como se fosse esse o grande insulto. Têm o maior cuidado em chamar-lhes “idosos” (ou outro preciosismo qualquer inventado por esta esta intragável e oportunista novilíngua) mas tratam-nos como pesos descartáveis. E aposto que dormem que nem justos.»
Teresa Ribeiro: «A frontalidade não é uma qualidade, é um estilo.»
Eu: «Vou a Tânger com Paul Bowles (O Céu que nos Protege), a Amesterdão com John Irving (A Porta no Chão), a Lima com Vargas Llosa (Conversa n’ A Catedral), a Barcelona com Vásquez Montalbán (Os Mares do Sul), a Cuba com Hemingway (O Velho e o Mar), a Dominica com Jean Rhys (Vasto Mar de Sargaços), ao Haiti com Greene (Os Comediantes), ao Congo com Naipaul (A Curva do Rio), à África do Sul com Coetzee (Desgraça), à Riviera francesa com Fitzgerald (Terna é a Noite), à Sicília com Lampedusa (O Leopardo), à floresta amazónica com Ferreira de Castro (A Selva), ao sul dos Estados Unidos com Harper Lee (Por Favor não Matem a Cotovia) e Carson McCullers (Coração, Solitário Caçador).»

os velhos (pobres) deste país […] são tratados abaixo de cão, sem qualquer consideração ou respeito na prática, puxam-lhes o tapete no fim da vida com condições de sobrevivência desumanas
De forma nenhuma. Têm pensões indexadas à inflação, ao contrário da generalidade dos funcionários públicos, cujo poder de compra sofreu no último decénio uma deterioração de 20% ou mais.