DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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J. M. Coutinho Ribeiro: «Os lados conflituantes conversaram durante 45 minutos. E disse Sócrates que foi uma conversa “boa”. E disse Cavaco também que sim, que a conversa foi “boa”. Tudo na maior, portanto, o pessoal preocupou-se à toa, a conversa foi “boa”. Coragem, meus amigos. E optimismo. Tudo como dantes. O país? Ora, que interessa isso, quando a conversa é “boa”? Por falar nisso: alguém a escutou?»

 

João Carvalho: «Para José Sócrates, é «uma grande notícia» que os irlandeses tenham maioritariamente dito ‘sim’ ao tratado pró-constitucional europeu, o chamado Tratado de Lisboa, nesta insistência do segundo referendo lançado por Dublin para o efeito. Sócrates declarou sem pestanejar que foi uma resposta «clara e livre». Se pestanejou, foi por se lembrar de que nos prometera também um referendo sobre o tratado e faltou à promessa.»

 

Paulo Gorjão: «O resultado em Lisboa é indiferente para o futuro de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD. Mais. O resultado do PSD nas autárquicas é irrelevante para o futuro de Ferreira Leite. Sejamos claros: a sua liderança terminou no dia 27 de Setembro. O resto são paliativos que não alteram o diagnóstico global. Utilizando uma imagem de Ferreira Leite, a vitória ou a derrota de Santana Lopes apenas altera os metros de profundidade em que o PSD se encontra. Não evita o afogamento. O afogamento ocorreu no dia 27 e é irreversível.»

 

Eu: «A 28 de Agosto [de 1939], Joachim von Ribbentrop – o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, que viria a ser executado em 1946 por decisão do tribunal de Nuremberga – voara para Moscovo. E ali, após dois dias de negociações, fechou um acordo com os soviéticos, concedendo-lhes, em nome de Hitler, o domínio da Polónia do Leste e também da Lituânia. “Foi o próprio Estaline quem desenhou a nova fronteira no mapa, que em seguida assinou”, escreve Martin Gilbert no seu livro, de 1080 páginas. Em troca, o ditador de Moscovo comprometia-se a fornecer à Alemanha 300 mil toneladas de petróleo por ano – promessa que cumpriu.»

2 comentários em “DELITO há dez anos”

  1. A 28 de Agosto [de 1939], Joachim von Ribbentrop – o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, que viria a ser executado em 1946 por decisão do tribunal de Nuremberga – voara para Moscovo. E ali, após dois dias de negociações, fechou um acordo com os soviéticos, concedendo-lhes, em nome de Hitler, o domínio da Polónia do Leste e também da Lituânia. “Foi o próprio Estaline quem desenhou a nova fronteira no mapa, que em seguida assinou”, escreve Martin Gilbert no seu livro, de 1080 páginas. Em troca, o ditador de Moscovo comprometia-se a fornecer à Alemanha 300 mil toneladas de petróleo por ano – promessa que cumpriu.

    20 anos antes, em 1919, Churchill ordenou o bombardeamento com gás químico das tribos árabes do Sul do Iraque, que se tinham revoltado contra o domínio que os ingleses lhe queriam impôr. Também aí estava em causa petróleo – muito petróleo.

  2. o domínio da Polónia do Leste e também da Lituânia

    Do nosso ponto de vista atual – de pessoas que estão mais ou menos habituadas à existência da Lituânia, e certamente que à da Polónia, esses países têm todo o direito de existir.

    Do ponto de vista da Alemanha e da Rússia em 1939, esses países eram assim a modos que como a Catalunha – países que só tinham existido, se é que tinham, na Idade Média, e que não tinham, portanto, qualquer direito a uma existência independente.

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