DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Joana Nave: «A ilusão bate sempre à porta, mas quase nunca a deixamos do lado de fora, convidamo-la a entrar como se de uma ilustre visita se tratasse. Damos-lhe o melhor lugar na nossa mesa, servimos vinho de reserva em copos de cristal e convidamo-la a ficar connosco. Se assim não fosse, como seria possível que tantos de nós ficássemos desiludidos quando a vemos partir?»

 

Teresa Ribeiro: «A experiência não é uma qualidade, é um activo (por vezes tóxico).»

 

Eu: «A melhor ficção contemporânea desvenda o lado oculto do conto de fadas, sem a menor concessão ao imaginário pseudo-romântico das revistas cor-de-rosa. E se há escritor capaz de nos transmitir sem lamechices nem ridículos sentimentalismos como é delicada e precária a frágil arquitectura das relações humanas, esse escritor é o norte-americano Updike (1932-2009). Galardoado com o Pulitzer em 1982 e 1991, mas injustamente esquecido pelo júri do Nobel, mais propenso a distinguir autores envolvidos nas chamadas grandes causas do que a literatura dos pequenos quadros da rotina quotidiana, sugeridos e não proclamados, como é próprio dos melhores escritores.»

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