
Luís Menezes Leitão: «Por razões profissionais estive na semana passada na Alemanha e pude assistir à campanha eleitoral alemã. Da mesma pude concluir que a aspiração de tantos políticos portugueses de que alguma coisa possa mudar após essas eleições é perfeitamente ridícula. Angela Merkel está de pedra e cal na chancelaria, e não vai alterar um milímetro a política que desenhou para a Europa. Quanto a Peer Steinbrück, já tinha concluido que tinha tantas hipóteses de ser eleito chanceler como o Reichstag de dançar o samba.»
Patrícia Reis: «Os miúdos já não são miúdos, são quase-homens, podem fumar e beber mojitos, aprender a guiar e depois ter as dúvidas que os miúdos têm, as mesmas que os homens terão. Uma mãe assiste. A partir de uma certa altura, uma mãe é uma espectadora. Participa se lhe pedem, cala e ouve e aprende. Eu aprendo com os miúdos o que é ser miúdo hoje. O mais novo não está, portanto, parece que é tudo uma coisa de adultos. Não é. Adormecemos a ver o panda Kung Fu II.»
Teresa Ribeiro: «O optimismo não é uma qualidade, é uma fé.»
Eu: «Muitos de vocês não fazem ideia do que isto era, mas acreditem: cresci num tempo em que havia comícios partidários todos os dias e em que se ouvia gritar nesses comícios uma trilogia de nomes que logo se fixaram na memória colectiva: “Marx! Engels! Lenine!” Certos partidos acrescentavam dois outros nomes: Estaline e Mao Tsé-tung (ainda ninguém escrevia Mao Zedong naquele tempo). Muita gente, na minha geração, formou-se politicamente em reacção instintiva e quase visceral àqueles comícios frenéticos onde vozes desvairadas apelavam à ocupação imediata de terras e fábricas, socorrendo-se dos profetas que menciono acima como supremos argumentos de autoridade. As imagens difundidas até à exaustão nos telediários desse país pós-ditadura e pré-constitucional provocaram um efeito de saturação e acabaram por ser contraproducentes, causando uma espécie de cansaço generalizado por antecipação.»

“…comícios frenéticos onde vozes desvairadas apelavam à ocupação imediata de terras e fábricas, socorrendo-se dos profetas que menciono acima como supremos argumentos de autoridade…”
E quem os introduziu não foi o povo, as revoluções comunistas nunca foram feitas pelo povo(classe) , foram sempre feitas pela burguesia ou aristocracia de segunda desapontada com a falta de projectos romanticos na vida real.