
JPT: «Faz parte da meninice, do crescer, isso de ter ídolos. Depois, com a idade, que acompanha consciência e desencanto, eles esfumam-se, uns tornado meros humanos outros até apenas nada. Eu tive alguns. O cume da minha idolatria foi com Vítor Damas, o maravilhoso guarda-redes do Sporting. Vibrei com ele na baliza (abaixo uma defesa contra a Inglaterra que me lembro de ver em directo, há 35 anos, tamanha a comoção sentida). Sofri quando partiu para Espanha. Resmunguei quando voltou a Portugal sem que o clube o tivesse contratado. E adorei, então eu já homem feito, quando voltou ao nosso clube. Damas era e continuou a ser o maior. Como meu ídolo nunca empalideceu. Faz hoje dez anos que morreu. O meu ídolo quando miúdo. O meu ídolo depois disso.»
Teresa Ribeiro: «O cinismo não é uma qualidade, é um defeito de culto.»
Eu: «Frost entrevista um derrotado. Nixon ocupou o posto máximo a que um político pode aspirar no planeta: teve tudo ao seu dispor e viu tudo desfazer-se à sua volta, por culpa própria, passando à História como o primeiro chefe da Casa Branca forçado a demitir-se. Retirado na sua mansão de San Clemente, este Nixon que emerge de sombras kafkianas, na sua mansão de San Clemente, é um homem profundamente amargurado. Tem dinheiro, tem o tempo todo ao seu dispor, joga golfe e viaja para onde quer, mas garante ao entrevistador que só sonha com uma quietude destas quem não sabe realmente o que é a vida. “O que dá sentido à vida são os objectivos, é haver uma meta, uma batalha, uma luta, mesmo que não a ganhemos.” Um excepcional trabalho jornalístico que devia ser matéria obrigatória em todos os cursos de formação de profissionais da comunicação social.»
