
João André: «Parece-me que se quer diabolizar sem qualquer razão esta ideia da jovem do BE. O que ela pretende não é de maneira nenhuma agrilhoar a liberdade de expressão dos homens portugueses, antes expandir-lhes o horizonte, oferecer-lhes a possibilidade de diversificarem o vocabulário e assim juntar a notória imaginação do trolha às possibilidades poéticas da língua portuguesa.»
Teresa Ribeiro: «Ser-se fiel por falta de capacidade de sedução não é uma qualidade, é uma condição.»
Eu: «As primeiras páginas prometiam. Numa espécie de elegia depurada, com um débil fio de narrativa mas uma escrita muito trabalhada, complexa, a meio caminho entre a sinceridade confessional e o artifício retórico. Há seguramente uma voz original na pena de [José Luís] Peixoto. O problema situa-se a outro nível: este romance é trespassado por uma tristeza tão funda, tão irremediável, tão contagiosa que começamos por ansiar pelo momento em que termine. E à medida que se progride a voz do autor vai-se embargando, o romance tinge-se ainda mais de escuro, tropeçamos ali num Portugal rural que parece carregar uma dor inominável nascida antes de todos os séculos. Há livros incompatíveis com certas estações do ano. Nenhum Olhar é rigorosamente interdito ao calor do Verão. Será talvez livro para ler num Inverno frio e chuvoso?»
