DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Helena Sacadura Cabral: «Chego ao que, agora, interessa. O abnegado trabalho dos bombeiros e a indesculpável incúria, pública e privada, na limpeza dos matagais. Este ano já perdemos três seres humanos, um deles uma mulher. Acredito que a maioria dos pirómanos seja doente. Mas sei que há os que trabalham por conta de outrem, a quem muito convém o solo ardido. Para estes, a justiça deveria ser exemplar. E para os que não limpam as suas matas, também.»

 

Eu: «Seiscentas e tal páginas. E, de súbito, fartei-me. Fechei o livro e parei de vez. Estava há mais de cem páginas no mesmo capítulo, estava há mais de 30 páginas a seguir o mesmo diálogo entre Hans Castorp (sempre mencionado desta forma, com nome e apelido) e o sr. Settembrini, sempre a mesma dialéctica entre o agir e o não-agir, sempre a mesma torrente de palavras. Cansei-me irremediavelmente, quando faltavam cerca de cem páginas para chegar ao fim, nesta minha terceira tentativa falhada de ler A Montanha Mágica.»

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