DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Joana Nave: «Tenho pensado algumas vezes que gostava de controlar o tempo para poder assimilar com maior clareza as consequências dos meus actos, mas o impulso é incontrolável e só o trabalho diário, perseverante e consistente consegue alinhar dentro de cada um de nós o que racionalmente sabemos que nos faz bem. Controlar tudo e todos os que nos rodeiam é um trabalho inglório, que nos desgasta e deprime, porque só quando conseguimos entender o que estamos a sentir somos capazes de aceitar e libertar as amarras que nos oprimem e limitam a nossa felicidade plena.»

 

Eu: «Nos últimos 20 dias estive em Copenhaga. Envolvido numa das mais fascinante séries que vi até hoje: Forbrydelsen (palavra que significa crime, em dinamarquês). Conheci a detective Sarah Lund, da polícia dinamarquesa, e acompanhei-a na investigação de um homicídio que quase todos em redor dela consideravam irresolúvel. Sem qualquer vestígio daquele glamour muito maquilhado que costuma contaminar as produções norte-americanas de um insuportável artificialismo. (…) Os americanos, que são alérgicos a legendas e idiomas que não dominam, preferiram produzir a sua própria série, inspirada nesta. Ainda não a vi e nem sei se me apetecerá. Porque a original – um extraordinário thriller que cruza polícias e políticos, quase sempre depois do pôr-do-sol – me parece imbatível. Em intensidade, autenticidade, criação de atmosfera, desenho de personagens, domínio do tempo e qualidade artística.»

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